Seguro toma café onde se desafiava a ditadura e pode festejar eleição na mesa que tem "sempre reservada"
Autores: Rui Carvalho Araújo e Rui Oliveira Costa
Receitas, memórias e sempre um lugar à mesa. Nas Caldas da Rainha, onde vive, António José Seguro sente sempre uma temperatura quente, apesar da intempérie eleitoral.
O frio e a chuva afugentam as pessoas do Mercado da Fruta, mas há quem já tenha vindo e deixado uma marca e António Pereira, vendedor no mercado, já a sentiu.
"Antes de entrar no esquema parlamentar e querer ser presidente da República, ele já vinha aqui os fins de semana à praça com a esposa, tendo em conta que eles têm aqui uma casa perto", conta o comerciante à TSF.
No Mercado da Fruta das Caldas da Rainha, a opinião é unânime.
"É fundamental para ser Presidente da República que a pessoa tenha o bom senso e tenha a lucidez de representar um país. E só se representa o país realmente com a palavra certa, no momento certo, e, de facto, nos dois balanços, temos uma balança um bocadinho para o lado do positivo e para o lado do brincalhão", diz António Pereira.
Ainda assim, não são favas cotadas: "Não. Eu nunca meto o trunfo à frente. Não, isso nunca. Não, porque há muitos eleitores que não dão a cara, no direito deles, não dizem em quem é para votar, que também é o direito deles, e há muitos que têm uma ideia e têm vergonha de a expor."
Outro vendedor é João Martinho e tem algo para dizer a António José Seguro: "Que ele é um grande homem e talvez o candidato mais certo, porque foi o único que não interferiu com os outros. Não disse mal dos outros, não comentou aquilo que os outros disseram. Acho que é a pessoa, se calhar, mais certa."
A calma de quem guarda as estacas condiz com a tranquilidade com que os comerciantes das Caldas da Rainha têm visto o candidato da terra.
"É assim, uma pessoa que quase não é como a gente, tem outra cultura, outras maneiras, mas é uma pessoa simples", caracteriza Rosa Sousa.
Regina Carreira concorda: "Não costuma andar a dizer mal dos outros, que é o pior. Para mim, aquilo não é. Andar para ali a dizer, a acusar um ou o outro e não sei quê. Então, mas eles vão lá todos para ganhar a mesma coisa."
E do mercado sai uma lista de receitas para uma segunda volta, que ainda vai no início.
"Tendo em conta que ele mostrou, ainda no dia das eleições, das primeiras, que ele prefere o conforto do lar e umas duas gordurinhas para fazer uma boa sopa. É a receita caseira. Eu acho que ele é um homem muito caseiro, muito da família, e isto impõe-se", sugere António Pereira.
Regina Carreira foca-se na fruta: "Para a campanha, umas tangerinas, umas laranjinhas, que é para ele se constipar, umas mangas. Mas as tangerinas e as maçãs que são aqui das mais novas."
Já Paulo Farinha acredita que a caravana de seguro trata bem da comifa. "Eles para a campanha comem lá. Eles não precisam. Só se for um pão e azeitonas", brinca.
Atravessa-se a rua e no Café Central os pedidos de António José Seguro são simples.
"Eu não sei muito bem. É o brunch ou então bebe um cafezinho e come um pastelinho de nata", conta Luísa Peão, dona do café.
E o que é que recomendaria para ele comer agora na campanha eleitoral? "Ah, agora, o que é que eu recomendaria? O nosso bolo do pomar, que é típico da nossa casa, que é com maçã reineta, noz e canela, que é o mais vendido e o mais delicioso."
O passado do Café Central passado confunde-se com a política portuguesa.
"A história do café pertence justamente à família da mulher do António José Seguro e foi a eles que eu comprei. Está ligada à política de esquerda também. Portanto, eram aqui feitas muitas tertúlias da ala esquerda. O avô, eu penso que era o avô da mulher do António José Seguro, que era um homem muito direcionado para a política e tinha realmente altos conhecimentos e aqui faziam-se muitas tertúlias", explica.
Ou seja, antes do 25 de Abril? "Sim, então o café já data do início do século XX. Eram escondidas lá na cave. Temos uma cave e ali faziam-se grandes tertúlias."
Com um fresco de Júlio Pomar na parede, o café, tal como o nome indica, tornou-se figura central da vida das Caldas da Rainha. Voltamos a percorrer o mercado da fruta para chegar onde António José Seguro tem mesa marcada. Na Casa Antero, a escolha do candidato é variada.
"Ou os pratos do dia, ou petiscos. O que nós lhe metermos à frente, normalmente. [Não há nada assim específico que ele goste, especialmente?] É o que nós arranjarmos."
No entanto, há uma coisa que não pode faltar à mesa: "É o vinho Serra P. É o vinho dele, da produção dele."
"Amigos, família, mulher, os filhos" são normalmente os acompanhantes de António José Seguro à mesa e a Casa Antero conta que haja lá festejo: "Tem sempre mesa reservada."
Resta saber quem vai saborear a Presidência.
