Sondagem: apoio esmagador à presença de Portugal na NATO, despesa militar gradual e o chumbo à proposta de paz dos EUA

Créditos: Olivier Matthys/EPA (arquivo)
Na sondagem da Pitagórica para TSF-JN-TVI-CNN Portugal, 46% dos inquiridos afirmam ainda que Portugal deve participar na Eurovisão, mesmo com a presença de Israel
Portugal deve continuar na NATO: este é o entendimento de 90% dos inquiridos na sondagem da Pitagórica para TSF/JN/TVI-CNN Portugal. Apenas 3% afirmaram querer o país fora da aliança, enquanto que 6% não têm opinião formada e 1% escolheu não responder.
Mas os números mudam, ainda que de forma ligeira, se houver guerra. Caso a NATO se envolva num conflito armado, Portugal deve manter-se junto dos aliados e cumprir os compromissos, defendem 61% dos inquiridos. Já 25% entendem que o Estado não deve abandonar o tratado, mas limitar a participação de forças nacionais.
Portugal deve procurar uma posição neutral e afastar-se da NATO foi a resposta escolhida por 9%. Os restantes 5% não sabem ou não respondem.
Quanto ao investimento de quase seis mil milhões de euros em equipamento militar proposto pelo Governo, quase 80% das pessoas ouvidas pela Pitagórica veem-no como necessário ou mesmo muito necessário. No entanto, destes, a maioria (56%), entende que deve ser feito de forma gradual e sem pôr em causa outras prioridades sociais. Ao passo que 13% veem o investimento como pouco oportuno, por considerarem que existem outras urgências sociais mais importantes. Para 6% dos inquiridos, este gasto militar é desnecessário, mesmo tendo em conta os compromissos internacionais de Portugal.

O barómetro da Pitagórica quis também saber se Portugal deve apoiar o financiamento em larga escala da União Europeia (UE) para ajudar a Ucrânia. A maioria entende que sim, embora, para 35%, a ajuda portuguesa deve ser feita com moderação. Já 51% não colocam entraves ao esforço nacional, ao passo que 11% defendem que o país não deve apoiar o financiamento da Ucrânia.
Sobre a proposta de paz dos EUA, que inclui concessões imediatas, a maioria não apoia: apenas 15% defendem um acordo que implique cedências, enquanto 43% afirmam que a decisão depende do conteúdo final e das garantias obtidas por Kiev. Já 36% entendem que a Ucrânia não deve assinar a proposta norte-americana.
Note-se, no entanto, que esta sondagem foi realizada entre 11 e 19 de dezembro, ou seja, antes do Conselho Europeu, que aprovou um empréstimo histórico da UE à Ucrânia, e antes do encontro entre Volodymyr Zelensky e Donald Trump.
E deve ou não Portugal participar na Eurovisão, mesmo com a presença de Israel, ou boicotar? A esta questão, 46% dos inquiridos reponde que sim. Por sua vez, 38% defende o boicote, mas, destes, 10% querem manter o Festival da Canção e 9% preferem para esperar para ver o que acontece até à data do festival.

Ficha Técnica
Sondagem realizada pela Pitagórica para a TSF-JN-TVI-CNN Portugal, com o objetivo de avaliar a opinião dos portugueses sobre temas relacionados com a política internacional.
O trabalho de campo decorreu entre os dias 11 e 19 dezembro. A amostra foi recolhida de forma aleatória junto de eleitores recenseados em Portugal e foi devidamente estratificada por género, idade e região. A taxa de resposta foi de 49,7%.
As mil entrevistas telefónicas recolhidas correspondem a uma margem de erro máxima de +/- 3,16% para um nível de confiança de 95,5%.
A direção técnica do estudo é da responsabilidade de Rita Marques da Silva.