Tempestade "quase fez esquecer campanha eleitoral", mas abstenção não é opção: "Só para quem não quer apanhar água na careca"

Eleitores exercem o seu direito de votar antecipadamente no edifício da Resinagem, localizado na Marinha Grande, depois da passagem da depressão Kristin. Marinha Grande, 01 de fevereiro de 2026. Por causa dos efeitos da tempestade, o local de voto antecipado em mobilidade foi alterado em seis municípios - Vieira do Minho, Alvaiázere, Leiria, Torres Vedras, Alcácere do Sal e Silves. (ACOMPANHA TEXTO). CARLOS BARROSO/LUSA
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A campanha eleitoral para a segunda volta das presidenciais em tempo de catástrofe esteve esta quinta-feira em debate no Fórum TSF
"Os alinhamentos noticiosos estão completamente dominados pela catástrofe que se bateu sobre o país", além de que há pessoas "sem teto", que "podem não ter o que comer" ou um gerador. Perante este cenário, a campanha eleitoral para a segunda volta das presidenciais caiu para segundo plano, mas os professores catedráticos, ouvidos esta quinta-feira no Fórum TSF, acreditam que, ainda assim, as pessoas vão votar "disciplinadamente" no domingo e "com um sentido cívico enorme".
"Quer os sites, o digital, a rádio, os jornais, ou a televisão estão completamente dominados pela catástrofe que se bateu sobre o nosso país, o que significa que este agendamento da campanha eleitoral é muito periférico", notou Felisbela Lopes, professora catedrática na Universidade do Minho.
Acresce que "as condições atmosféricas também poderão afetar a nossa ida às urnas no próximo domingo", lembrou, sublinhando que a "preocupação" existe e que, neste momento, "quase nos esquecemos de que estamos em campanha eleitoral".
Também José Adelino Maltez, professor catedrático do Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas (Universidade de Lisboa), referiu que há pessoas "sem teto em casa, que "podem não ter o que comer" ou um gerador. No entanto, frisou, não será isso que as irá impedir de ir "no domingo disciplinadamente, com um sentido cívico enorme, depositar o seu voto naquele que consideram ser "o melhor candidato" para assumir a Presidência da República.
"Não tenho dúvidas nenhumas que só se vão abster, não os que sofrem, mas os que estão encatados e guardados na sua casinha e não querem apanhar um pingo de água na careca. O povo que sofreu vai votar, não tenho dúvidas nenhumas", atirou.
O Presidente da República, Marcelo Rebelo Sousa, admitiu esta quinta-feira que alguns municípios poderão decidir adiar as eleições presidenciais devido ao estado de calamidade decorrente do temporal que afeta o país.
Onze pessoas morreram em Portugal desde a semana passada na sequência da passagem das depressões Kristin e Leonardo, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações são as principais consequências materiais do temporal.
As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas.
O Governo decretou situação de calamidade até domingo para 68 concelhos e anunciou um pacote de medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.
