Ventura visita empresa que "fechava se trabalhadores estrangeiros fossem embora" e ouve elogios a ministro de Sócrates
Autor: Rui Carvalho Araújo
O candidato a Belém André Ventura visitou mais uma empresa afetada pela tempestade Kristin, desta vez em A-dos-Cunhados, Torres Vedras, no distrito de Lisboa. Ainda com os prejuízos totais por contabilizar, o empresário realçou que, "se hoje os trabalhadores estrangeiros fossem embora, fechava a empresa imediatamente".
Em Torres Vedras, a tempestade Kristin varreu as estufas que encontrou pela frente: "Está tudo destapado, mas aqui seriam uns ferros e aqui plástico. Aqui salvamos algumas mais pequenas. Agora 11 hectares estão ainda por fazer", afirma Paulo Maria, dono de uma empresa hortícola, enquanto faz contas à vida.
O empresário quer aproveitar a presença de André Ventura para subilinhar o que estão a "sentir na pele" estas populações.
"E, quando for falar naquilo que os empresários estão a sofrer, também lhe dê dor. O político precisa de sentir a dor do empresário", avisa.
Esta já não é a primeira vez que o empresário passa por uma situação semelhante. Em 2009, contudo, o ministro da Agricultura de José Sócrates deixou marca e Paulo Maria fez questão de contar a sua história para que Ventura pudesse ouvir.
"Tínhamos feito uma exploração e ela caiu toda ao chão naquela altura. Felizmente, tivemos um ministro à altura, o doutor António Serrano, ministro da Agricultura. Foi excecional. Veio para o terreno e veio dizer: "Olha, daqui a um mês eu quero estar aqui e quero mostrar aos jornalistas que vocês estão a trabalhar, nós vamos fazer o nosso trabalho." Foi impecável"", elogia.
Já quanto ao atual ministro da Agricultura, José Manuel Fernandes, o empresário confessa que "gostava" que também ele pudesse estar "à altura" de poder dar "uma resposta aos produtores".
Ao lado do candidato a Belém, apoiado pelo Chega, Paulo Maria não quis dar mais um passo sem deixar mais um recado.
"Nós dependemos de mão de obra estrangeira. 100%. Na minha empresa, temos 80 colaboradores, só temos um português, que é o engenheiro. Se hoje os trabalhadores estrangeiros fossem embora, eu fechava a empresa", declara.
E também para reerguer o negócio, diz, vai ser necessária mão de obra estrangeira. Paulo Maria já contactou igualmente várias fábricas pra encomendar plásticos, sendo que prevê que um camião possa chegar para a semana.
Agora, "falta dinheiro para fazer face aos compromissos". Mas não só: "Nós queríamos mesmo era que o tempo desse tréguas para podermos rapidamente voltar à luta."
