Decisão mais difícil da história do BE? Foi durante o governo Sócrates e ninguém se arrepende

O Bloco de Esquerda mudou a política portuguesa, mesmo "sem força" para o fazer sozinho. Catarina Martins recorda em entrevista à TSF os altos e baixos de um partido que a 20 de fevereiro de 1999 era novinho em folha.

Antes de existir Bloco de Esquerda, Catarina Martins votava no Partido Socialista Revolucionário (PSR) ou na União Democrática Popular (UDP), mas também aconteceu, "algumas vezes, votar no Partido Comunista Português (PCP).

No dia em que se assinalam 20 anos da assembleia de fundação do Bloco, a 28 de fevereiro de 1999, Catarina Martins recorda o dia em que o PSR, o UDP e o Política XXI, partidos entretanto já extintos, se uniram numa única força política a pensar no futuro.

Nas palavras de Francisco Louçã, cita a coordenadora bloquista entrevistada por Fernando Alves em direto na Manhã TSF, "acabou a pré-história da Esquerda e começou a história da Esquerda".

Ainda hoje, considera Catarina Martins, o partido "não só junta um campo grande da esquerda como faz permanentes pontes com movimentos e outros partidos".

Assim se justifica que, mesmo "quando o Bloco de Esquerda não tem força suficiente para, sozinho, fazer uma mudança, na verdade é capaz de aprovar e mudar tantas coisas na política em Portugal".

Para a coordenadora do Bloco de Esquerda, o partido enfrentou o momento mais difícil da sua história quando votou contra o PEC IV, durante o Governo de José Sócrates.

"O Bloco de Esquerda pagou por isso, até eleitoralmente", mas se fosse hoje voltaria a fazer o mesmo. "Teria de ser", diz.

"Passados todos estes anos toda a gente compreende que não podíamos aprovar a privatização dos CTT, que não podíamos aprovar a lei dos despejos (...) mas na altura foi muito mal compreendido."

"Se não tivéssemos mantido essa coerência hoje não teríamos força para nenhuma mudança significativa."

Para Catarina Martins, a saída de Francisco Louça "foi muito dura", mas acabou por compreende-la. Até porque "no Bloco de Esquerda ninguém se eterniza. Há sempre mais gente preparada para assumir responsabilidades."

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