Qual é o Estado da Nação?

"A maioria está obviamente firme"

À TSF, o secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares diz que é "inabalável" a vontade de aprovar mais um orçamento com a esquerda. Todos estão comprometidos: "Não contamos com mãozinha de ninguém".

Chamam-lhe o "pivot da geringonça", porque é pelo gabinete dele que passam, há mais de três anos, os acertos e desacertos da maioria que junta o PS e a esquerda.

É pelo meio da intensa ronda de conversas sobre o Orçamento de Estado que Pedro Nuno Santos fala à TSF para manifestar a convicção de que, apesar das ruidosas críticas dos parceiros da esquerda, vai ser possível que "todos se sintam confortáveis" com a proposta final.

"A sensação que tenho do trabalho que desenvolvo é que todos os partidos estão comprometidos em conseguir um bom orçamento. Não vamos recuar em nada do que atingimos em conjunto", afirma.

Até ao outono, vai "exigir muito trabalho, mas a maioria está obviamente firme", garante.

Questionado sobre se o Governo admite o eventual apoio do PSD para aprovar o Orçamento, Pedro Nuno Santos é categórico: "Não, não. Nós não contamos com a mãozinha de ninguém".

"Nós temos uma maioria, foi essa maioria que deu origem a este Governo e é com essa maioria que nos trabalhamos, não excluímos contributos de ninguém. Só contamos com a maioria para passar o Orçamento, não equacionamos mais nenhuma opção, nem vemos nenhuma necessidade nisso", declara.

O secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares considera "natural que haja algumas dificuldades" tendo em conta "o período de pré-eleições" e o facto de já estarem concretizadas grande parte das linhas do caderno de encargos firmado com a esquerda, mas garante que a vontade de aprovar "algo de positivo" - entenda-se, o quarto Orçamento - "é tremenda e inabalável".

Esta sexta-feira, no debate sobre o Estado da Nação, o Primeiro-Ministro "irá enunciar prioridades para os próximos tempos", mas o futuro passa pelo caminho à esquerda "por razões políticas", defende Pedro Nuno Santos.

"Era impossível resolver os problemas do Serviço Nacional de Saúde com o PSD ou o CDS", sublinha o secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares, reafirmando que é "com o PCP, o BE e o PEV" que o trabalho deve ser feito.

O governante socialista garante que "o país está melhor", reconhece a "necessidade de que as coisas se resolvam mais depressa", mas rejeita que haja "cansaço" na atual solução.

"Sempre tivemos, ao longo destes três anos, apostas sobre o fim desta solução. Ninguém acreditava que fosse possível o primeiro Orçamento e já estamos a trabalhar no quarto", ironiza Pedro Nuno Santos.

A frase seguinte quase soa a um recado para a esquerda: "Não vamos perder a oportunidade de fazer mais um Orçamento em conjunto".

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