A ministra da Saúde entrou no Governo "como um elefante numa loja de porcelanas"

Dos enfermeiros à ADSE, David Justino diz que Marta Temido está a fazer um malabarismo perigoso com assuntos delicados.

Médicos, enfermeiros, ADSE e setor privado. A ministra da Saúde está a "tocar em muitas coisas ao mesmo tempo", considera David Justino.

Marta Temido "entrou como um elefante numa loja de porcelanas", disse o vice-presidente da direção do PSD, esta quarta-feira, no programa da TSF Almoços Grátis.

"Aconselharia que estas coisas fossem tratadas com recato e ponderação", até porque está em causa o "reconhecimento e aceitação, ou não, do papel da ministra" dentro do Governo. "Todos os sinais desde que esta ministra lá está são de um encosto que não inspira confiança a ninguém."

Também convidado a fazer uma avaliação de Marta Temido, Carlos César responde que "a ministra da Saúde ainda não foi ao exame final".

A guerra perdida da ADSE

No caso particular da ADSE, David Justino entende que se se está a começar uma guerra prejudicial para os utentes, "é uma guerra perdida à partida".

É certo que "a ADSE tem alçapões, há coisas que não funcionam bem e há abusos que têm de ser controlados, mas em vez de mudar o serviço é preciso melhorá-lo", defende. Se não há controlo sobre determinadas despesas, então a ADSE tem de arranjar forma de ter controlo.

"Quando não se conhecem as regras de jogo começam-se a marcar penáltis dos sítios mais inacreditáveis do campo", compara.

Por sua vez, Carlos César lembra que "as pessoas que têm ADSE não têm um privilégio - descontaram toda a sua vida contributiva" para ter acesso ao subsistema de saúde do Estado, mas admite que "o sistema está mal montado".

"Faz sentido quando se diz que devem ser fixados preços de referência em função dos quais os serviços são prestados no ano seguinte", aponta como exemplo. Por outro lado, os "hospitais privados não podem reagir neste processo como se tratasse de um Brexit na saúde".

Uma greve "sem coração"

Apesar de entender que "o diálogo não pode ser fechado", o socialista lembra que "estamos num período muito perturbado, em que é importante que o Estado não falhe." E falhar significaria ceder e dizer que 'sim' a todos - enfermeiros, professores e outras classes com reivindicações - mesmo estando "em causa milhares de milhões de euros".

No caso dos enfermeiros, Carlos César fala em "injustiças" e diz não compreender como é que um enfermeiro acabado de chegar à profissão ganhe mais do que um com vários anos de carreira, mas também olha para o outro lado da barricada.

"É das greves mais sem coração que alguma vez se fizeram" e das mais impopulares desde o 25 de Abril, afirma. É uma "greve agressiva e lesiva dos doentes", posiciona-se "contra os doentes" e não a favor das reivindicações dos enfermeiros.

Com Anselmo Crespo e Nuno Domingues

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