XI Convenção Nacional do BE

A oposição da oposição. Críticas ao Bloco... dos bloquistas

Entre amigos e camaradas, também há lugar para os críticos na reunião magna do Bloco de Esquerda.

"Nesta casa vão encontrar força, amizade, camaradagem", dizia Catarina Martins no seu discurso de abertura na XI Convenção do Bloco de Esquerda (BE). Mas também vão encontrar divisões, podia ter dito.

Muito críticos da atual direção e solução governativa, os 47 delegados que assinam a moção M, "Um Bloco que não se encosta", traçam uma "imagem de um Bloco integrado confortavelmente num sistema político que, supostamente, quer mudar".

O BE "mostra-se apenas como partido tradicional e nada como movimento", dizem. Falta "democracia interna, militância significativa e protagonismo das bases" e há em excesso "centralização, institucionalização e rotina".

No púlpito, Inês Ribeiro Santos, representante da moção M, acusou Catarina Martins de enfraquecer o partido.

Falta à coordenadora bloquista "coragem" e "capacidade de construir" uma verdadeira alternativa, adotando em vez disso uma "posição recuada e centrista", condena.

"Estamos mais fracos (...) O Bloco é um partido fantasma, que não está nem nem no Governo, nem na oposição."

E a culpa também é da Geringonça. Ao apoiar o Partido Socialista no Governo, o BE perdeu mais do que ganhou. "Os partidos de esquerda que apoiam governos perdem a sua identidade, porque abrem-se brechas à demagogia e ao populismo", diz Inês Ribeiro Santos.

Também Américo Campos, representante da moção C, diz que as tendências internas do partido são um "estorvo" ao crescimento.

"Precisamos de reforçar a democracia interna, virar-nos mais para a sociedade e ultrapassar a doença infantil do sectarismo decorrente das tendências".

O Bloco de hoje, diz, é "fraquíssimo" no que toca a ser alternativa e só se dá a conhecer às pessoas "pela televisão". É preciso "um sobressalto que o acorde para a realidade"

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