BE e PAN não foram à China. Marcelo diz que "só dança quem está na roda"

O Presidente da República garante que não sente qualquer embaraço pela ausência de dois partidos com assento parlamentar nesta visita oficial à China. E puxa de um adágio popular para desvalorizar o assunto.

"É um sinal da liberdade". É assim que Marcelo Rebelo de Sousa comenta, pela primeira vez, a ausência do Bloco de Esquerda e do Partido Animais e Natureza, nesta visita oficial à China. O Presidente da República lembra que "não é a primeira que acontece" e que, por vezes, quando algum partido não acompanha uma comitiva, isso deve-se a impossibilidades práticas".

Não foi o caso do BE e do PAN, que decidiram não acompanhar Marcelo nesta viagem por terem divergências políticas de fundo com o regime chinês. "Não se impõe a nenhum partido a integração na delegação. Vêm os que querem vir", responde o Presidente, garantindo, ao mesmo tempo, que fica "confortável com aqueles que vêm". Para rematar, Marcelo lembra o adágio popular que diz que "dança quem está na roda, portanto, quem quer estar na roda está na roda, quem não quer estar na roda não dança daquela vez, dança da próxima."

A China quer ajudar a Europa

A conversa com os jornalistas, em Xangai, serviu para fazer um balanço do encontro entre Marcelo Rebelo de Sousa e Xi Jiping, que decorreu estar tarde, em Pequim. O Presidente da República registou e fez questão de sublinhar a disponibilidade da China para ajudar a Europa a tornar-se "mais unida e forte, não dividida, não enfraquecida", um fator, lembra Marcelo, fundamental para "a balança de poderes mundiais".

Da parte do Presidente chinês, Marcelo sentiu uma grande disponibilidade para a ajudar o velho continente a tornar-se "uma potência a par de outras potências mundiais", aos mais variados níveis, "nomeadamente nas próprias negociações de comércio internacional, não fazendo acordos sacrificando a Europa para obter resultados mais favoráveis". Uma disponibilidade chinesa que surge em plena guerra comercial com os Estados Unidos e, no momento em que a China lançou o programa Faixa e Rota, para abrir novas vias comerciais, precisamente, para a Europa.

Presidente chinês nos 20 anos da transição de Macau

Na leitura do Presidente português, outra das boas notícias que saiu do encontro foi a disponibilidade de Xi Jiping em estar presente nas celebrações dos 20 anos da transição de Macau para a China. Da parte de Portugal, Marcelo não se compromete com a representação oficial e diz que tanto pode ser ele próprio a vir, como o primeiro-ministro, António Costa. Um assunto "a ver".

De Pequim, Marcelo trouxe um "aumento do diálogo político, no sentido em que passamos a ter o estatuto dos EUA, do Reino Unido, da França e da Alemanha que é um grupo muito seleto, com reuniões anuais e portanto há aqui um salto da parceria estratégicas para o dialogo estratégico". Mas também um reforço das relações bilaterais, onde ambos os países querem "ir mais longe no plano económico, cultural, cientifico e tecnológico".

Xi Jiping acordou ainda com Marcelo Rebelo de Sousa dar mais força ao Fórum Macau e garante que esse foi um dos temas que marcou "todos os encontros".

Por fim, o Presidente português gostou ainda de ouvir o homólogo chinês reafirmar o "apoio claro e determinado ao Secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres", a prova de que "a China tem, como nós temos, uma opinião muito favorável do desempenho do Secretário-geral".

Patrocinado

Apoio de

Patrocinado

Apoio de