Cavaco Silva vê Mário Centeno "num governo social-democrata de direita"

Mais hábil que Vítor Gaspar, sobretudo no diálogo que consegue manter com o Bloco de Esquerda e com o PCP. Em entrevista à TSF, Cavaco Silva elogia o trabalho de Mário Centeno, apesar de ter começado mal.

Há frases que dificilmente imaginamos ouvir um protagonista político pronunciar. Dizer que Mário Centeno "não teria dificuldade em fazer parte de um governo social-democrata da direita" é uma delas. Se o protagonista que a verbaliza se chamar Cavaco Silva, mais ainda.

Na primeira entrevista que dá à TSF, depois de ter lançado o segundo volume de "Quinta-feira e outros dias", o ex-Presidente da República elogia o trabalho que o atual ministro das Finanças tem feito nas contas públicas, apesar de ter começado mal. "O primeiro Orçamento dele foi quase rejeitado pela Comissão Europeia e foi duramente criticado, quer pelo Conselho das Finanças Públicas, quer pela Unidade Técnica de Apoio Orçamental", recorda Cavaco, acrescentando, num esforço de memória, que Centeno "teve que corrigir muito esse primeiro esboço de Orçamento que depois aprovou."

Mas daí para a frente, Cavaco Silva parece agradado com o trabalho feito. Elogia a habilidade do Mário Centeno, sobretudo "no diálogo que consegue manter com o Bloco de Esquerda e com o PCP" e não tem dificuldades em reconhecer que "agora podia fazer parte de um governo social-democrata da direita."

Apesar de todos os méritos que encontra em Centeno, Cavaco Silva lembra que "ele precisa muito da ajuda do primeiro-ministro". Sempre foi assim, diz o antigo Presidente da República, que garante falar com conhecimento de causa. Os ministros das Finanças precisam sempre muito dessa ajuda e os chefes de Governo têm obrigação de a dar.

"António Costa foi sempre muito cuidadoso comigo"

O "artista", como Cavaco Silva descreve António Costa no segundo volume de "Quinta-feira e Outros dias", não é uma crítica, garante. Pelo contrário, o ex-Presidente da República garante que toda a descrição que faz do atual primeiro-ministro é do conhecimento público: "Que ele é hábil, mas isso toda a gente diz. Que ele tem um sorriso fácil, mas isso toda a gente nota. Que ele adia os problemas, mas isso basta ler os jornais."

Cavaco Silva recorda as reuniões sempre cordiais que manteve com António Costa, um primeiro-ministro "sempre muito cuidadoso a dar-me toda a informação." O que descreve no livro - e garante que não descreve tudo -, justifica com a necessidade de ajudar a compreender "como atua um primeiro-ministro, porque isso ajuda-me a estabelecer um diálogo comigo próprio."

LEIA AQUI A ENTREVISTA A CAVACO SILVA NA ÍNTEGRA

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