"Coincidências" de Tancos: GNR de Loulé tinha informação relevante sobre material

O responsável pela investigação criminal da GNR de Loulé à data do furto desconhecia "encenação" no achamento das armas. Colaborou com a Judiciária Militar porque lhe foi pedido por telefone.

O tenente-coronel Luís Sequeira liderava a investigação criminal (NIC) da GNR de Loulé na altura do roubo das armas dos paióis de Tancos. Foi nessa qualidade que recebeu um telefonema da Polícia Judiciária Militar (PJM) a solicitar colaboração para uma operação para recuperar as armas roubadas.

"Houve essa autorização para que o NIC apoiasse a PJM: alguma informação que colhessem que passassem para a PJM. Sendo certo que eu tinha um conhecimento apenas genérico porque eu não acompanhei no terreno a investigação", disse aos deputados Luís Sequeira.

O tenente-coronel Segundo justificou o pedido de colaboração à GNR de Loulé porque ali havia um militar com "um contacto com um indivíduo que tinha informação que pudesse ser relevante para a recuperação do material e eventualmente chegar aos autores do crime", admitindo que "há aqui coincidências também".

Em causa estava o pedido da Judiciária Militar, de informações sobre o homem conhecido como Fechaduras "um indivíduo de Albufeira" conhecido por alguns militares na GNR de Loulé que depois os encaminhou para João Paulino, um dos principais suspeitos do furto.

Questionado sobre se suspeitou de uma "encenação" no reaparecimento das armas, Luís Sequeira disse não ter não ter informação para tirar essa conclusão.

"Nunca me foi reportado que este aparecimento se devesse a uma encenação mas sim ao facto de essa testemunha ter sido várias vezes contactada pelo núcleo de investigação de Loulé, sob coordenação da PJM, levando depois à localização do material. Mas não me foi explicado um cenário de encenação".

O tenente-coronel explicou ainda que não lhe pareceu "estranho" que fosse a PJM a liderar o processo, admitindo que nunca chegou a falar com a Judiciária, que estava realmente a comandar a investigação.

Luís Sequeira foi ouvido no âmbito de uma investigação interna da Inspeção-Geral da Administração Interna à atuação da GNR no caso e adiantou que "o processo ainda não terminou".

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