Costa quer Centeno numa segunda legislatura e Pedro Marques comissário europeu

Fica já tudo em pratos limpos: António Costa diz que "não faria o menor sentido" que Mário Centeno não fosse ministro das Finanças num eventual segundo mandato socialista. Quanto a Pedro Marques, "daria um bom comissário europeu."

Uma vitória é uma vitória. Uma derrota é uma derrota. Mas o que será um resultado poucochinho para o PS nas próximas Europeias? O primeiro-ministro não se compromete com metas e vai recordando que as circunstâncias são outras. Sobre o futuro de dois dos homens em quem Costa mais aposta, na cabeça do primeiro-ministro está tudo muito claro: Centeno continua onde está. Pedro Marques pode ambicionar voos mais altos.

Carlos César dizia nas Jornadas Parlamentares que o PS teve de trabalhar, às vezes, muito penosamente, com o Bloco e com o PCP. O que foi mais penoso, no seu entender?

Isso cada um fala por si. Talvez seja a minha costela oriental, ou o otimismo que diminui a penosidade daquilo que é o trabalho normal em democracia e eu acho que uma das grandes qualidades desta legislatura foi, em primeiro lugar, termos acabado com um absurdo que a história nos tinha legado, que era manter um muro, 20 anos depois da queda do muro de Berlim, não sendo possível entendimentos, com incidência governativa, com o PCP, com o Bloco de Esquerda e com o partido ecologista Os Verdes. Isso acabou, essa teoria do arco da governação. Portanto, oferece hoje aos portugueses uma variedade maior de soluções governativas com estabilidade. E acho que esta legislatura provou que é possível haver uma solução governativa desta natureza, que assegure estabilidade. Eu diria que muito poucas pessoas acreditavam, quando as posições conjuntas foram assinadas, em novembro de 2015, que estivéssemos quase a chegar ao final da legislatura sem sobressaltos e com a continuidade da ação governativa e sem nenhuma crise orçamental. Menos ainda acreditavam que fosse possível compatibilizar os compromissos que tínhamos assumido com os portugueses no programa eleitoral do PS, os compromissos que estávamos a assumir com os parceiros parlamentares e os compromissos internacionais do país, designadamente para com a União Europeia. e a verdade é que hoje, de uma forma harmoniosa, eu diria mesmo excessivamente harmoniosa porque hoje parece tudo tão fácil que de repente toda a gente já acha que tudo é possível, já e para todos. E, de facto, não é possível já, tudo e para todos. E, portanto, é um trabalho exigente, mas que tem valido a pena, espero que assim continue até ao último dia da legislatura, e depois das eleições, a partir das eleições os portugueses falarão.

No programa televisivo da Cristina o senhor Primeiro-Ministro foi mostrar os seus dotes culinários. Hoje já está a cozinhar uma nova geringonça?

Não, são coisas diferentes.

Mas está ou não?

Vamos lá ver. Os jornalistas têm esta opção de saber quais são os resultados eleitorais que as pessoas querem, como é que pensam governar a seguir. Sabe que conta muito pouco os desejos dos políticos. Só conta mesmo uma coisa, que é a vontade dos cidadãos. E os cidadãos é que decidirão se votam assim ou se votam assado. E, pronto, depois dos cidadãos terem falado e terem escolhido os seus representantes na Assembleia da República, em função dos resultados eleitorais é possível ver quais são as soluções governativas que são possíveis ter e desejáveis ter. Agora, qual é a vontade de qualquer dirigente político? A minha não é diferente de qualquer um dos meus adversários: termos o melhor resultado possível.

Portanto, uma maioria absoluta?

Toda a gente quer o melhor. Se perguntar aqui ao Jerónimo de Sousa, à Catarina Martins, ao Rui Rio, à Assunção Cristas, qual é o resultado que querem? O melhor possível. Querem o mesmo que eu. Não sou muito imaginativo. Quero o mesmo que eles.

Uma sondagem recente dá uma subida significativa ao PSD nas próximas europeias e cerca de 34% ao Partido Socialista. O que não seria um resultado poucochinho do PS?

Eu espero, também aqui nas Europeias, ter o melhor resultado possível. As Europeias, como sabe, são sempre eleições ingratas para os Governos. Creio que, até hoje, em Portugal, só por duas vezes é que um partido que está no Governo ganhou as eleições, portanto, a confirmar essas sondagens, pela terceira vez um partido que está no Governo e que ganha eleições. Acho que é importante, neste momento, que estas eleições sejam também vistas nessa ótica interna e que se perceba que é preciso, é útil ao país dar aqui um sinal claro de estabilidade e de vontade de continuidade relativamente aos anos futuros. No caso concreto das Europeias em particular acho que é muito importante o resultado do PS, porque quanto mais força o PS tiver no grupo socialista do Parlamento Europeu melhores condições o PS terá, o Governo terá para negociar os pelouros na Comissão Europeia e as posições de Portugal no próximo Quadro Institucional.

Mas do ponto de vista de leitura política interna, que é sempre feita, o que lhe pergunto é, para si uma vitória é uma vitória? Seja por pouco ou por muito?

Uma vitória é uma vitória e uma derrota é uma derrota.

Já houve vitórias que o senhor considerou poucochinho, no passado...

Sim, naquele contexto, o resultado que o PS teve há quatro anos foi um resultado poucochinho. Espero que este ano o resultado não seja, mas é como lhe digo, o contributo que posso dar é o meu próprio voto. Agora depende do voto dos portugueses e da avaliação que fazem e o sinal que também querem dar relativamente ao futuro do ano político.

Mário Centeno atirou para setembro uma decisão sobre o seu futuro. Já se habituou à ideia de que, se ganhar as eleições, não vai contar com ele como Ministro das Finanças?

Tem essa convicção?

É uma pergunta.

Olhe, eu não tenho essa convicção.

Está a contar com ele no novo executivo?

Sim. Vamos lá ver. O professor Mário Centeno vai, seguramente, se nada de grave acontecer, daqui até ao outubro, ser a segunda pessoa, depois do professor Sousa Franco, a ser Ministro das Finanças quatro anos consecutivos numa mesma legislatura. Nunca, desde o 25 de abril até agora, nem nas maiorias absoluta do professor Cavaco nem nas maiorias absolutas do engenheiro Sócrates houve algum Ministro das Finanças que tenha feito uma legislatura completa.

Vai chegar à segunda?

Acho que tem mesmo a oportunidade de poder, se os portugueses nos permitirem voltar a formar um novo Governo, de ser não só aquele que fez uma legislatura completa, mas também fazer uma segunda legislatura. Acho que, aliás, não faria sentido, o menor sentido, do ponto de vista interno não há a menor razão para não prossiga as suas funções. Do ponto de vista externo seria aliás, faria muito pouco sentido, como presidente do Eurogrupo cessar essas funções prematuramente.

E Pedro Marques daria um bom Comissário Europeu?

Isso daria seguramente, mas, enfim, a escolha dos Comissários Europeus será feita no momento próprio, como sabe, a seguir às eleições é necessário, que entre o Conselho e o Parlamento se criem condições para que haja a escolha de um presidente da Comissão. Esse presidente da Comissão terá que organizar a Comissão Europeia, terá que dialogar com a Comissão, com os diferentes Estados, com as diferentes famílias políticas para a distribuição dos pelouros e, portanto, o que eu digo é que é importante que Portugal possa estar nessa negociação com a maior força possível. E quanto mais força tiver dentro do grupo Socialista do Parlamento Europeu obviamente mais força tem para nos pelouros que caibam à família socialista poder ter o melhor possível.

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