XI Convenção Nacional do BE

Fundadores apontam "condições mínimas" para o BE ser Governo

Ouvidos pela TSF, Fernando Rosas e Luís Fazenda elegem a renegociação da dívida ou a revisão do Tratado Orçamental europeu como patamares mínimos para o BE integrar um Governo.

Legalizado em 1999, o Bloco de Esquerda, que nasceu da união de três forças políticas - o Partido Socialista Revolucionário (PSR), a União Democrática Popular (UDP) e a Política XXI -, teve em Francisco Louçã, Luís Fazenda, Miguel Portas e Fernando Rosas as figuras de proa de um partido que, diz Luís Fazenda, nasceu com o objetivo de "contribuir para transformar a sociedade".

De lá para cá, passaram quase duas décadas, e o partido, que em tempos era visto apenas como "um movimento de protesto", cresceu e afirma, perante os eleitores, que quer ser Governo.

"É à medida que vamos tendo maior confiança da parte de largos setores da sociedade portuguesa que enfrentamos essa necessidade e esse desejo de poder ser poder, de pode influenciar realmente as políticas do país", diz à TSF Luís Fazenda, que sublinha: " Esse era um desejo que preexistia à formação do BE e que cada vez mais está patente".

Apesar de haver no BE algumas vozes críticas à proximidade dos bloquistas ao PS, segundo o membro da Comissão Política e da Mesa Nacional, há, dentro do partido, uma "larga maioria" que defende que o Bloco deve governar. Luís Fazenda considera que ao participar na atual solução de Governo liderada pelos socialistas, os bloquistas ficaram mais preparados.

"Tornou-nos mais preparados para enfrentar responsabilidades políticas e de poder", diz, salientando, no entanto, que apesar de não haver "linhas vermelhas" para uma entrada do BE num Governo do PS, há matérias que têm de ser esclarecidas: "A alteração do Tratado Orçamental e de vários tratados europeus, a participação do Estado no controlo público de alguns setores estratégicos da economia, a reindustrialização e descarbonização do país ou o relançamento de serviços públicos".

Tal como Luís Fazenda, também o historiador Fernando Rosas, outro dos rostos da fundação do BE, considera que os bloquistas estão numa "fase boa" e que têm outras armas para chegar ao Governo, mas que antes de dar esse passo é preciso alcançar alguns compromissos.

"Há coisas em que tem de se avançar em relação ao primeiro acordo que fizemos [com o PS]. Em matéria de Tratado Orçamental, de renegociação da dívida, de uma Europa que nos quer travar quando queremos avançar, a legislação laboral, a reapropriação social de alguns setores estratégicos da economia", adianta, em declarações à TSF, Fernando Rosas, que insiste: "Há vários assuntos em que temos de avançar e em que, nesta primeira fase, ainda não avançámos".

O historiador considera, no entanto, que a concretização dessas matérias depende mais da força que os portugueses derem ao BE nas urnas do que de uma eventual pressão sobre o PS. "A nossa capacidade de o fazer vai depender, em primeiro lugar, dos resultados. Um BE que saia reforçado das eleições tem uma capacidade de negociação diferente. Depende da relação de forças que se estabelecer".

Para já, Fernando Rosas, agora militante de base, diz que o Bloco está sólido e mais capaz de ter outro tipo de responsabilidades. "O BE aprendeu com esta aliança eleitoral com o PS, aprendeu e amadureceu do ponto de vista do rigor e competência das propostas e, visto pelos olhos de um velho militante, é hoje uma proposta muito interessante para a esquerda portuguesa".

Quanto a uma entrada num futuro Governo, Fernando Rosas entende que é defendida pela "maioria" dos militantes, mas que o Bloco nunca irá para um Executivo com o PS para ser "uma flor na lapela".

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