eleições europeias

Marcelo acusado de "prejudicar o PSD" e de "dar as mãos" ao partido de Santana Lopes

O ex-secretário geral adjunto do PSD disse à TSF que o facto de Marcelo permitir que Paulo Sande se mantenha como seu assessor pode prejudicar o resultado eleitoral que o PSD possa ter nas eleições europeias de 2019.

É uma crítica direta ao Presidente da República. João Montenegro, ex-secretário geral adjunto do PSD, acusa Marcelo Rebelo de Sousa de estar a prejudicar o Partido Social Democrata ao aceitar que Paulo Sande, assessor em Belém, seja o cabeça de lista do recém-criado partido Aliança às eleições europeias.

"Marcelo está a ser conivente com a estratégia de um partido político e isso é inaceitável no nosso sistema político", disse Montenegro em declarações ao jornal i.

Já quando falou com a TSF, João Montenegro não foi tão taxativo e disse queesta atitude de Marcelo não será "um ataque ao partido que liderou", mas que "pode estar aqui em causa um prejuízo claro ao próprio PSD".

"Isto porquê? O PSD é um partido que está a sofrer aqui alguma dissidência da parte de pessoas que estão a ir para o partido Aliança e, de certa maneira, pode prejudicar aqui no futuro um resultado eleitoral que o próprio PSD possa ter nas eleições europeias de 2019."

João Montenegro defende que, em primeira instância, deveria ser o próprio Paulo Sande a deixar a assessoria da presidência da República. Mas considera que, caso o atual conselheiro para os assuntos europeus do Presidente não siga esse caminho, deve ser Marcelo Rebelo de Sousa a afastá-lo.

O ex-secretário geral adjunto do PSD vai mais longe e afirma que o presidente "está claramente a prejudicar o PSD" e que Marcelo Rebelo de Sousa "não se pode andar a meter assim na vida dos partidos. Nem tampouco deve andar a dar as mãos a ninguém".

O Presidente da República já reagiu às acusações. O chefe de Estado lembrou que não é a primeira vez que um assessor da Presidência entra numa corrida eleitoral e deu o exemplo de Nuno Sampaio - que nas últimas eleições autárquicas foi o candidato do PSD à Assembleia Municipal da Lourinhã.

Face a este exemplo, João Montenegro sublinhou que as situações "não são comparáveis".

"Uma coisa é alguém poder ser candidato ou integrar uma lista a uma Junta de Freguesia outra coisa é alguém que trabalha diretamente com o senhor Presidente da República que estuda dossiês sobre questões europeias, que é especialista na área do debate europeu e, de um momento para o outro, despe a farda de assessor político do senhor Presidente e é cabeça de lista de um partido às eleições europeias."

A regra, esclarece Marcelo Rebelo de Sousa, é suspender funções, sem perda de vínculo, no momento da campanha eleitoral e formalização da candidatura.

Assim, conclui o Presidente da República, Paulo Sande só deixará de exercer funções em Belém no momento em que "formalizar mesmo" a anunciada candidatura.

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