Convenção Movimento Europa e Liberdade

MEL: Movimento que quer "caçar o rato" garante que não é de esquerda nem de direita

Fundador do movimento, que esta quinta-feira faz a sua primeira convenção, garante que não quer combater políticos ou partidos. Rejeita uma colagem à esquerda ou à direita e quer distância de populismos - razão pela qual André Ventura não foi convidado. Mas cita Deng Xiaoping.

Paulo Carmona, um dos fundadores do Movimento Europa e Liberdade (MEL), reafirmou, na TSF, que esta plataforma recusa ser um partido. O objetivo é resolver os problemas do país e colocar Portugal na senda do crescimento.

PUB

"A ideia do MEL não é combater políticos, não é combater os partidos, nós não queremos ser um partido, mas também não queremos ser um populismo. Queremos é resolver os problemas e ajudar os partidos a resolver os problemas.

Por isso mesmo, o Movimento Europa e Liberdade rejeita uma colagem à esquerda ou à direita.

"Nós recusamos uma colagem à esquerda ou à direita. Nós acreditamos que não existe esquerda nem direita. Como dizia um famoso comunista chinês Deng Xiaoping, 'não me interessa se o gato é branco ou é preto, interessa é caçar o rato'. Não me interessa se é de esquerda ou de direita, não me interessa se é privado, se é público, não me interessa se é do Benfica ou do Sporting, se é alto, se é magro, interessa é que os portugueses tenham alguém que resolva os problemas. Nós passámos demasiado tempo, passámos 40 anos a discutir se é comunista, se é fascista, se é de esquerda, se é de direita, continuamos a perder poder de compra face aos espanhóis, todos os anos empobrecemos um bocadinho mais."

Ainda assim, Paulo Carmona mostra-se satisfeito com as presenças de Assunção Cristas e de Santana Lopes no segundo dia da convenção, embora recuse a ideia de querer fazer crescer uma força política maior à direita.

"Felizmente aceitaram o convite. A nossa ideia era abrir o primeiro dia com Rui Rio - que, aliás, foi a primeira pessoa a ser convidada -, e encerrar com um alto dirigente do Partido Socialista. Infelizmente, não aceitaram (...). São figuras importantes num país da Europa e defensor da liberdade. Obviamente, não convidámos extremistas, nem à direita nem à esquerda, porque não acreditam na Europa."

Aliás, foi por isso que o MEL não convidou André Ventura, promotor do partido Chega que defende, por exemplo, a proibição do casamento entre pessoas do mesmo sexo ou a prisão perpétua.

Sobre as ausências de Francisco Assis, António José Seguro ou Rui Rio, recusa ter havido imprudência nos convites feitos.

"Nós quisemos ter muita gente, quisemos ter todas as pessoas, porque o debate tem de ser um debate livre, com todas as opiniões que acreditam na Europa em liberdade (....) António José Seguro acabou por não aceitar. Francisco Assis e Trigo Pereira aceitaram, mas, depois, mais tarde, recusaram, até, porque, houve muito sensacionalismo à volta de um evento que nada tem de matiz nem de colorido. É a mesma coisa que que querermos fazer um evento de futebol. Convidamos o Porto, convidamos o Sporting e o Benfica. Os do Porto vêm, do Sporting vêm alguns, vêm bastantes benfiquistas e, de repente, passa a ser um evento benfiquista. Não é com esse propósito".

Paulo Carmona vai mais longe, ao dizer que "dos 43 oradores, só dez ou 12 é que têm carreira política como deputados ou como ministro, portanto, é um exagero e talvez um apoucamento dizer-se que é um encontro político", mesmo que presentes, estejam inscritos quatro oradores, potenciais candidatos à disputa da liderança interna do PSD.

  COMENTÁRIOS