"Não há braço de ferro com os enfermeiros. Não há é acordo em tudo", diz Costa

Primeiro-ministro rejeita ceder a reivindicações "impossíveis" dos enfermeiros e garante que o Governo está a fazer um "esforço". "Não podemos gastar tudo nas férias, temos de distribuir os recursos", avisa.

Com o Governo e os sindicatos dos enfermeiros de volta à mesa das negociações, António Costa garante que não há qualquer "braço de ferro" entre o Executivo e os profissionais, mas avisa que há "reivindicações possíveis".

Na semana passada, o Sindicato Democrático dos Enfermeiros de Portugal (Sindepor) anunciou a realização em abril de uma "greve geral, prolongada e muito dura". O primeiro-ministro espera ver a questão globalmente resolvida até ao final deste mês.

"Estamos a aguardar o fim do prazo que os sindicatos têm para se pronunciar no debate público que apresentámos relativamente à carreira - que termina no dia 28 de março - para podermos aprovar a nova carreira que prevê que, além de enfermeiros, tenhamos a carreia de enfermeiro especialista e enfermeiro gestor", afirmou o primeiro-ministro, no final da cerimónia de inauguração do novo Centro de Saúde de Odivelas, que vai servir mais de 41 mil utentes e que representa um investimento de 1,4 milhões de euros.

António Costa lembra que a lei impõe que nestes processos negociais haja um "prazo a que os sindicatos têm direito" e que, nesse sentido, há que aguardar, adiantando o chefe do Governo que assuntos como a revisão salarial estão, à partida, resolvidos.

"Temos de esperar por dia 28 de março para poder legislar e essa questão [da aprovação da carreira de enfermeiro] fica resolvida. Não há nenhum braço de ferro, agora, não há acordo em tudo, porque há reivindicações absolutamente impossíveis no esforço que temos vindo a fazer", considera António Costa.

Aos jornalistas, o primeiro-ministro disse ainda que, no que diz respeito à negociação algumas matérias "estão umas resolvidas, outras em resolução".

"A primeira grande reivindicação era a reposição do horário de trabalho nas 35 horas, e não só foi cumprida para quem tinha perdido, como foi alargado para os enfermeiros que entraram no sistema com contrato individual de trabalho", salientou o líder do Governo.

António Costa avisa para a necessidade ter em atenção o equilíbrio orçamental: "Não podemos gastar tudo nas férias ou noutra atividade, temos de distribuir os recursos que temos para satisfazer as necessidades que são quase ilimitadas no Serviço Nacional de Saúde".

Entre outras propostas, os enfermeiros pretendem uma revisão salarial com a carreira a começar nos 1600 euros e a antecipação da idade da reforma para os 57 anos de idade.

"Temos de continuar a fazer mais e a fazer melhor"

Em Odivelas, António Costa assinalou que o Serviço Nacional de Saúde conta hoje em em dia com "mais nove mil profissionais" e que, no ano passado, só nas unidades de saúde primárias, foram feitas 31 milhões de consultas. "Houve mais 589 mil do que tinha havido em 2015", salientou.

"Estamos a atender mais e estamos a atender melhor. Agora, que não chega, não chega, e por isso temos de continuar a fazer mais e a fazer melhor", disse, no entanto, o primeiro-ministro, que espera que o Serviço Nacional de Saúde "continue a ser competitivo na atração de profissionais".

Também Marta Temido, ministra da Saúde, garante que é prioritário o reforço de profissionais, e deixa um apelo: "Irão brevemente a exame cerca de 400 jovens que, se tudo correr bem, vão ser recém-especialistas a breve prazo. O desafio que lhes deixamos é para permanecerem no SNS".

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