O abraço do urso? Crise no PSD reconcilia Menezes com Rio

O ex-líder do partido, rival histórico do atual presidente social-democrata protagonizou um momento emotivo no Conselho Nacional do PSD."Enquanto eu acreditar que faz as coisas por convicção, o senhor terá o meu apoio até à vitória nas legislativas."

A separá-los, houve sempre muito mais que as duas margens do Douro. Foram inimigos durante anos. Atacaram-se publicamente e em privado. Até hoje. Luís Filipe Menezes decidiu fazer uma pausa nas divergências que alimentou, durante anos com Rui Rio, para dizer presente no Conselho Nacional onde se joga, precisamente, a liderança de Rio.

Menezes foi o único ex-líder do partido a comparecer na reunião, que decorre no Porto, para fazer aquilo a que se pode chamar um discurso misto: apoia Rio "enquanto acreditar que faz as coisas por convicção" mas avisa que "o senhor terá o meu apoio até à vitória nas legislativas."

Na intervenção no Conselho Nacional do partido, Menezes lembrou que "os partidos políticos são muito importantes em democracia, mas os portugueses são mais importantes que os partidos." O discurso - onde Menezes lembrou que é amigo de Montenegro e considerou legitimo o desafio que o ex-líder parlamentar fez a Rio - terminou com um longo abraço ao presidente do partido.

À saída, e questionado pelos jornalistas sobre o momento, Rui Rio não escondeu a emoção: "Acho que foi uma intervenção de grande dignidade", disse com a voz embargada, sublinhando que "não é fácil que depois de tantas divergências que tivemos ouvir a intervenção que ouvi do dr. Menezes."

Na saída para a pausa de jantar, Rui Rio elogiou ainda a forma como estão a decorrer os trabalhos, numa noite decisiva para os partidos.

O presidente do PSD procura os apoios suficientes para sobreviver à moção de confiança, depois da pressão interna protagonizada por Luís Montenegro, que desafiou o líder a marcar eleições diretas.

Por se tratar de um antigo presidente, o apoio assumido de Luís Filipe Menezes a Rui Rio é muito importante para a atual direção, uma vez que os ex-presidentes não só têm lugar cativo no Conselho Nacional, como têm também direito de voto.

E onde andam os outros ex-presidentes?

Luís Filipe Menezes foi o único a aparecer. Nem Ferreira Leite, apoiante de Rui Rio, nem Francisco Pinto Balsemão, que considerou uma "patetice" o desafio de Montenegro, apareceram no Porto para votar. O fundador do PSD, enviou, no entanto, uma mensagem de apoio a Rio, para ser lida durante o Conselho Nacional.

Do lado de Montenegro, falhou Rui Machete, o único ex-presidente do PSD que veio publicamente manifestar apoio ao homem que desafiou Rio.

Dos históricos do partido, referência ainda para Mota Amaral que veio dos Açores para apoiar o presidente do partido e também tem direito a voto. Alberto João Jardim não se deslocou até ao Porto, mas vai votar por procuração.

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