convenção do BE

"O Bloco não será jarra para dar ares de esquerda a nenhum Governo"

Catarina Martins quer o Bloco de Esquerda como uma força de governo, mas não a qualquer custo. Tem limites mínimos dos quais não abdica e depende sempre da força eleitoral que conseguir nas próximas eleições.

Já houve quem tivesse linhas vermelhas, Catarina Martins tem limites mínimos. A coordenadora do Bloco de Esquerda - que será consagrada este fim de semana para um mandato de mais dois anos - apresenta-se nas eleições do próximo ano com a ambição de levar o Bloco de Esquerda até ao Governo. O que é preciso para lá chegar? Isso são "outros quinhentos".

"Reconstrução de direitos do trabalho, defesa do estado social universal -a lei de bases da saúde é muito importante para nós -, capacidade de investimento estratégico e naturalmente revisão dos tratados europeus". São estes, no essencial, os limites mínimos que Catarina Martins colocou na Moção com que se apresenta na Convenção do Bloco de Esquerda, que decorre este fim de semana no Casal Vistoso, em Lisboa.

À TSF, a coordenadora do Bloco, lembra que "os tratados europeus, tal como estão definidos, impedem Portugal de fazer investimentos necessários" e que "se for possível existir à esquerda quem defenda à esquerda estas alterações, seria importante". Mas será que o PS está para aí virado? "Não nos parece que o PS seja um aliado natural para matérias de alteração de política europeia", responde Catarina Martins, acrescentando, no entanto, que "se a relação de forças o exigir, seja em Portugal seja na Europa, se calhar as coisas também mudam. Nada é imutável."

"No Bloco não somos jarras"

Convidada do programa Bloco Central, da TSF, a coordenadora do Bloco de Esquerda avisa o PS que, se quiser continuar a contar com o Bloco de Esquerda, "vai ser preciso colocar a questão europeia no início de conversa." Independentemente do tipo de acordo que possa vir a existir depois das eleições legislativas do próximo ano.

E se o PS se virar para a direita? Ou tiver maioria absoluta? "venha o diabo e escolha", responde Catarina Martins. Uma coisa é certa, o Bloco de Esquerda só está disponível para suportar ou participar num Governo do Partido Socialista, se as condições impostas à partida forem cumpridas: "Nós no Bloco não somos jarras. O Bloco não é jarra em lado nenhum para dar a um governo um ar de esquerda", atira a coordenadora do Bloco, lembrando, ao mesmo tempo, que "não pode haver presença num governo em que a relação de forças seja de tal forma frágil que quem lá esteja do Bloco de Esquerda seja uma jarra para dar ao governo um ar de esquerda."

Bloco gosta muito do rigor e de contas certas

Mesmo discordando da política orçamental de Mário Centeno - que o Bloco acusa de ir para além do que está previsto nos tratados - Catarina Martins não tem a visão de que o ministro das finanças mande mais no Governo do que o próprio primeiro-ministro. Pelo contrário, a coordenadora do Bloco de Esquerda considera que "o governo é coeso" e puxa pela experiência de três anos de geringonça para acrescentar que "para o que corre bem e o que corre mal, o diálogo com o Governo tem demonstrado sempre um governo coeso."

Já a ideia de que o Bloco de Esquerda não é um partido que defende contas certas, é rapidamente rabatida por Catarina Martins: "o Bloco de Esquerda acha muito importante contas certas", explica, desmontando ao mesmo tempo "a ideia de que o rigor significa cortes é que não compreendo, mas rigor é algo de que nós gostamos bastante, gostamos mesmo muito."

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