Política

O primeiro mês de Rui Rio: a calma antes da tempestade

Assinala-se hoje o primeiro mês desde que Rui Rio foi eleito em diretas, vencendo Pedro Santana Lopes. A consagração vai ser no fim de semana, em congresso. O mais difícil está por vir.

Só no próximo fim de semana, no 37.º congresso do PSD, vai acontecer a consagração no novo líder, depois da passagem de testemunho de Pedro Passos Coelho, mas adivinham-se tempos de contestação interna a Rui Rio.

Rio, 61 anos, antigo autarca da câmara do Porto, deixou, logo no primeiro minuto depois da vitória, um aviso para dentro do partido.

"O PSD não foi fundado para ser um clube de amigos ou uma agremiação de interesses ou de grupos", disse o novo líder perante os aplausos entusiasmados dos apoiantes.

Depois da festa, guardou silêncio, cortado apenas com uma entrevista à RTP onde se afirmou mais próximo da personalidade de Sá Carneiro, líder histórico do PSD: "Eu não sou do PSD, eu sou do Partido do doutor Sá Carneiro", e do perfil económico de Cavaco Silva.

Nessa entrevista, Rio afirmou que só depois do congresso será presidente de "pleno direito" do PSD mas, durante o último mês, foi fazendo reuniões preparatórias, como as que teve com Pedro Passos Coelho e com Hugo Soares, o líder parlamentar que fica em funções "até ao congresso".

Apesar da especulação, nem um nome da futura equipa dirigente foi até agora oficializado. Rui Rio prometeu apenas "unidade sem hipocrisia".

O silêncio foi a marca do primeiro mês, à exceção de uma pergunta escrita, enviada ao jornal Expresso sobre a instalação da Google em Oeiras.

E até a carta desafiadora de Miguel Pinto Luz, vice-presidente da câmara de Cascais e apoiante de Santana Lopes, ficou sem resposta. Pinto Luz desafiou Rui Rio a rever as "omissões" da moção que leva ao congresso e exigiu-lhe uma vitória nas próximas legislativas, mas de Rio nada se ouviu sobre o assunto.

Na leitura dos comentadores do Bloco Central da TSF, o perfil e a agenda de Rui Rio são diferentes da liderança cessante o que "vai trazer problemas".

Pedro Marques Lopes nota uma "barreira de comunicação" desde o primeiro minuto e a acredita que o nível de pressão "vai ser absolutamente esmagador".

Pedro Adão e Silva considera que vai ser decisivo perceber como Rui Rio vai realizar as três tarefas prioritárias do novo líder: "unir, renovar protagonistas e reorientar estrategicamente o PSD" e como é que "a direita que fica órfã vai reagir".

Para quem quis ouvir, Rui Rio deixou claro, ainda antes da eleição, que não tenciona ser um líder "a prazo".