"Os trabalhadores não têm lepra." A crise dos combustíveis e o direito à greve

O debate na Circulatura do Quadrado centrou-se na greve dos motoristas de matérias perigosas, que quase deixou o país sem combustível.

Pacheco Pereira foi deslocou-se até um dos locais onde os motoristas de matérias perigosas, que esta greve protagonizaram uma greve que paralisou o país e, na Circulatura do Quadrado, quis explicar o porquê.

"Fui lá por causo do arquivo [Ephemera]. Vamos a todos os sítios onde há conflitos. Os trabalhadores não têm lepra e os trabalhadores em greve também não têm lepra. Portanto, como é óbvio, eu cumprimentei aqueles homens como cumprimentaria em qualquer circunstância", explicou no programa com transmissão na TSF e na TVI24.

O antigo deputado do PSD insistiu então na ideia que já tinha defendido: "Eles não têm lepra."

A expressão encontrou uma voz concordante - ainda que desafiante - em António Lobo Xavier. "Claro que os trabalhadores não têm lepra, mas essa declaração é uma declaração para esconder que esta greve teve muitos aspetos de intimidação e de violência", declarou o antigo deputado do CDS.

Lobo Xavier defendeu que "o alerta de crise energética teve dificuldades em ser aplicado enquanto as forças de segurança não endureceram um bocadinho a sua limitação e o seu combate à violação, à intimidação, ao insulto e à agressão". Procurando especificar a que tipo de intimidação se referia, Lobo Xavier explicou que foi aquela que foi exercida sobre "centenas de trabalhadores dispostos a conduzir camiões e que não se sentiam seguros".

Perante as críticas feitas ao Governo, o advogado advertiu que "não foi o Governo" quem não se preparou, mas sim os próprios transportadores: "Não levaram a sério o aviso de greve e nunca estimaram que a greve pudesse chegar ao ponto a que chegou e ter a dimensão, efeito e produção de incómodos ao funcionamento da vida em Portugal que chegou a ter."

Quanto aos serviços mínimos decretados, e admitindo que "ficava mal" ser o próprio a explicar, os parâmetros dos mesmos foram "basicamente definidos em cima da situação pelas empresas de transporte. O Governo concordou. Depois de estarem em práticas, percebeu-se que eram muito limitados", já que o país não se resume às áreas metropolitanas de Lisboa e Porto.

Pacheco Pereira voltou ao debate para falar sobre aqueles que estavam em greve. "Quem hoje faz greve está completamente sozinho. Só tem uma coisa, que é a sua capacidade negocial, que é aquilo que consegue parar. O que acontece é que este tipo de motoristas tem um instrumento único: a sua capacidade de parar a distribuição de produtos. É evidente que gera perturbação, neste caso uma grande perturbação", assinalou.

Viraram-se então as agulhas do debate para o patronato e para as declarações do mesmo, que considerou "das mais reacionárias, que põem praticamente em causa a existência do direito à greve e que são muito agressivas". Pacheco Pereira denunciou então os SMS que os trabalhadores terão recebido, ameaçando-os "de represálias e desemprego", exaltando a importância de que, durante as negociações, não existam represálias sobre os trabalhadores ativos nesta greve.

Perante estas afirmações, Jorge Coelho declarou-se "absolutamente contra o que quer que seja que limite o direito à greve das pessoas", concordando com as afirmações de Pacheco Pereira de que os trabalhadores não têm lepra.

"Há determinadas profissões, aqui e em qualquer parte do mundo, que têm um poder muito acima daquilo que é a luta sindical normal, que tem de haver", explicou o ex-ministro. "Tem de haver uma reflexão, fora destas greves. Há direito à greve em Portugal desde que sejam cumpridas as normas legais e penso que neste processo foram acatadas", reconheceu.

"Era terrível para o país, para o sindicato, para as operadoras e para o Governo" a não-existência de acordo, reforçou Jorge Coelho, notando ainda que tal realidade poderia "pôr o funcionamento do país em causa".

Em conclusão, Lobo Xavier saudou a forma positiva como esta greve foi concluída, até porque "podia ser trágica para o país e ter efeitos políticos que não sabemos até onde poderiam ir".

"Em Portugal culpa-se o Governo por tudo, para o mal e para o bem", concluiu.

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