"Passos Coelho não deixa saudades nenhumas"

Em entrevista à TSF, Alberto João Jardim defende que a eleição de Rui Rio representa uma rutura com o passado e diz que se reconciliou com o PSD, com a nova liderança.

Dr. Alberto João Jardim, afinal o seu prognóstico sobre as eleições no PSD nacional falhou, antecipou uma vitória de Pedro Santana Lopes e acusou a máquina do partido de viciar os resultados, afinal quem ganhou foi Rui Rio.
Não, talvez me tivesse explicado mal. Não há dúvida de que a máquina do partido, também a nível nacional, apoiou claramente o Dr. Pedro Santana Lopes.

Porque é que acha que isso aconteceu?
É muito simples: o consulado Passos Coelho resulta de um truque que também fizeram aqui na Madeira, que foi a entrada de muita gente no partido e terem conseguido eleger a direção que interessava aos interesses económico-financeiros do país para se fazer o ajustamento económico e financeiro em termos de obediência às entidades estrangeiras, a União Europeia, o Fundo Monetário Internacional, etc. Isto foi bem montado e demonstra a vulnerabilidade em que se encontram os partidos portugueses e que tem ajudado a levar ao descrédito junto da opinião pública. Hoje, para se tomar um partido político basta haver dinheiro para pagar inscrições, para pagar quotas, e uma maioria eleger uma direção à custa dos interesses que pagaram esses dinheiros para levar à tal eleição. A prova foi o que o país passou e a situação em que esteve o PSD durante o consulado de Passos Coelho. Eu sei o que passei aqui na Madeira, quer quando estava na política ativa quer mesmo fora da política ativa.

Quanto a essa questão, se os resultados estavam sérios, é mais aqui na Madeira porque, embora o líder do partido aqui na Madeira tivesse declarado a neutralidade, assistiu-se a uma coisa absolutamente insólita, era a própria máquina do partido que telefonava para casa das pessoas a pedir para votar no Santana Lopes. Só que a máquina do partido também já está tão desacreditada, na atual conjuntura, que as pessoas fizeram ouvidos de mercador àquilo que a própria máquina partidária queria. Eu gosto de denunciar as coisas a tempo. Se eu dissesse depois das eleições que elas estavam viciadas, iam dizer que era mau perder porque eu, de facto, empenhei-me na campanha Rio. Eu gosto de dizer antes para, independentemente do que suceda, as pessoas ficarem a saber e não dizerem depois que era mau perder ou, tendo ganho, que foi despropositado, para quê falar nisso? Não, as coisas denunciam-se na hora própria.

Pedro Passos Coelho não lhe deixa saudades?
Nenhumas.

Acha que ele peca por decidir sair do partido tarde demais?
Ele peca por ter entrado para a liderança do partido.

Acha que a liderança de Rui Rio é uma rotura com o passado?
Com o passado recente sim, com o passado recente sim. Penso que pode ser uma rotura e é necessário que seja, tanto sob o ponto de vista ideológico, como do ponto de vista estratégico, como sob o ponto de vista de pessoas.

Esta chegada de Rui Rio à liderança do PSD significa, para si, uma espécie de reconciliação com o partido?
Para mim e para muita gente! Para mim e para muita gente. É uma reconciliação sobretudo, como eu dizia a pouco, ideológica, porque o que o partido andou a fazer não tem nada a ver com aquele partido que era essencialmente português, que era o PSD antes de Passos Coelho. Acho que é até uma reconciliação com os próprios portugueses, não é só com os militantes do partido.

Já decidiu se vai ao Congresso?
Vou, vou ao Congresso.

E que mensagem é que vai levar ao Congresso, quer falar no Congresso?
Não posso falar porque, primeiro não estou para falar às 3 horas da manhã...

Toda a gente pode falar.
Só tenho direito a três minutos e três minutos dão para desejar boas-festas já para o ano que vem.

Portanto, não vai falar, mas vai ao Congresso?
Vou até lá, se me arranjarem um cantinho para falar ainda falo, mas vou lá ver os velhos amigos.

Se puder falar o que é que vai dizer ao Congresso?
Se eu falar desejo-lhe uma boa audição.

Acha que há no partido quem tenha medo que o senhor fale?
Se havia dentro do PSD quem quisesse que eu perdesse as eleições de 2011 onde tive maioria absoluta... É para que se veja o amor que certa gente lá me tem.

Leia e veja na íntegra a entrevista a Alberto João Jardim aqui.

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