Plano B para o aeroporto do Montijo? "Simples. É construir um aeroporto de raiz"

O primeiro-ministro aguarda o resultado do estudo de impacto ambiental à construção do novo aeroporto do Montijo. Garante que o Governo, para já, não tem plano B, mas não vê outra solução, caso a obra seja chumbada, que não seja construir um novo aeroporto.

Há dez anos foi defensor da ideia de construir um aeroporto novo em Alcochete. Agora, defende a solução Portela mais um, mas a opção pelo Montijo está dependente do resultado do estudo de impacto ambiental. António Costa garante, em entrevista à TSF e ao Dinheiro vivo, que, caso a obra não avance, o país terá de discutir a construção de um novo aeroporto feito de raiz.

O senhor primeiro-ministro continua a insistir num aeroporto no Montijo, mesmo não tendo ainda o estudo de impacto ambiental?

Como sabe... como toda a gente sabe, há dez anos... eu entendo que há dez anos deveria ter sido feito aquilo que era a melhor solução que era a construção de um aeroporto de raiz em Alcochete. Não foi feito. Na altura entendeu-se que os números que demonstravam a necessidade de um novo aeroporto eram números megalómanos. Hoje, aqui aqui-d'el-rei, já ultrapassámos as realidades desses números e já estamos atrasados no aeroporto. Mas estamos. E estamos tão atrasados que já não é possível fazer aquilo que há dez anos deveria ter sido feito. Pelo que nós temos de trabalhar com as soluções que são mais exequíveis, do ponto de vista do tempo e do ponto de vista das condições financeiras. Porque há dez anos o modelo financeiro significava que a privatização da ANA era paga com a construção do novo aeroporto. O modelo de privatização que foi seguido foi em que a privatização da ANA foi paga à cabeça, com dinheiro que, presumo, espero, tenha servido para amortizar a dívida pública ao menos e, depois, os novos concessionários teriam a opção de apresentar ao Governo, quando o aeroporto atingisse um certo nível de saturação, as suas propostas para a solução. Portanto, neste momento, o cenário em que estamos a trabalhar, de todos o mais realistas, era uma solução em que combine Portela com outro aeroporto. A melhor solução - mais rápida e de menor custo - é Montijo.

E se o estudo de impacto ambiental for negativo, não tem plano B?

Se o estudo de impacto ambiental for negativo não poderá ser no Montijo.

Mas tem plano B? Ele existe?

Não. Não existe um plano B. Eu já tenho dito, com toda a clareza, que não há plano B.

E não deveria estar a preparar esse plano B? Caso o estudo seja negativo?

O plano B é simples: é construir um aeroporto de raiz porque todas as outras soluções alternativas, de Alverca, de Sintra, todas aquelas já foram estudadas, são sempre piores do que as outras. Enfim, o estudo de impacto ambiental, vamos aguardar a sua apresentação e depois a sua avaliação. Há uma coisa que é certa. No sítio onde já há um aeroporto seguramente haverá um impacto ambiental menor do que ir construir um de raiz onde não há nenhum aeroporto.

Então está otimista de que o estudo ambiental vai ser positivo?

Teoricamente o grau de probabilidade é maior do que relativamente a qualquer outro ecossistema. Em segundo lugar, aquela localização tem uma vantagem, aliás, de, no futuro, poder acomodar, a sua expansão. Ao contrário do que tem sido dito. E, portanto, poder, a prazo, permitir que se olhe para a Portela com outros olhos, distintos do que se tem olhado até agora. Mas vamos aguardar. Como sabe o primeiro estudo apresentado pela ANA foi rejeitado pelo Ministério do Ambiente porque não tinha os padrões mínimos de qualidade. A ANA ou já apresentou ou está para apresentar um novo estudo. Ele terá de ser avaliado e teremos de tomar a decisão em função disso. Agora, o que eu digo é o seguinte: neste momento a única condicionante, e não é menor, é o impacto ambiental. Quanto às outras condicionantes, essas estão resolvidas. Já há, aliás, um acordo entre o Estado e a empresa que, desde que o estudo de impacto o permita, será essa a solução que avançará e nos permitirá ter, enfim, com o menor atraso possível, a recuperação destes anos perdidos com a decisão de não se avançar com Alcochete na altura em que se deveria ter avançado com Alcochete.

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