Manuela Ferreira Leite

"Prefiro que o PSD tenha pior resultado nas eleições do que um rótulo de direita"

Manuela Ferreira Leite defende que sempre discordou do rótulo de direita atribuído ao PSD e, como tal, não concorda com "aqueles que preferem ver o PSD com um carimbo que não faz parte da sua génese".

A dois dias da 1.ª Convenção da Europa e Liberdade, que vai juntar na Culturgest vozes do PSD críticas de Rui Rio e outros nomes de direita, como Assunção Cristas, Manuela Ferreira Leite revelou, no programa Pares da República da TSF, que se trata de um movimento que lhe merece "desprezo" porque é de "curto prazo" e a pensar nas listas às próximas eleições.

"Acho que todo este tipo de movimentos que se baseiam em questões de natureza pessoal e muito marcados pela futura próxima constituição de listas para deputados merecem-me algum desprezo", afirma a social-democrata.

Questionada sobre a se vê uma relação entre o timing de realização desta convenção e as próximas eleições, a antiga líder social-democrata foi perentória: "é óbvia, é agora ou nunca, quando estiverem feitas as listas já as pessoas todas se desinteressam e só acordam daqui a quatro anos".

Durante o programa, Manuela Ferreira Leite afirmou ainda que prefere que o PSD "tenha um resultado menos bom" do que um "rótulo de direita" colocado por quem quer atacar a direção de Rui Rio.

"Penso que é um movimento de muito curto-prazo, efetivamente tem muito a ver com a oposição ao Rui Rio e pessoalmente sempre defendi que o PSD tinha adquirido um rótulo de direita do qual sempre discordei e que se tivesse alguma forma de combater teria combatido, revelou a antiga ministra das Finanças."E, portanto, não posso nunca concordar com aqueles que preferem ver o PSD com um carimbo que eu acho que não faz parte da sua génese, do seu ideário e que eu prefiro que tenha pior resultado nas eleições do que tivesse melhor com um rótulo que eu acho que não lhe assenta", acrescentou.

Também no programa Pares da República, Francisco Louçã considerou que esta iniciativa visa criar um ideário de direita, comparando-o com o que aconteceu nos Estados Unidos.

"É um pouco uma tentativa, e não é a primeira nem será a última de Tea Party, uma força de opinião que depois entra num partido tradicional, neste caso seria o PSD, claro que o CDS vai à boleia, tem uma disputa com Rui Rio e portanto quer aproveitar esse espaço e vai por essa razão", explica o antigo líder do Bloco de Esquerda.

Porém, Louçã acredita que "no PSD isso tem outra componente devido às tensões mas não creio que haja muito mais a acrescentar, mas é essa ideia de criar um ideário mais agressivo do ponto de vista social, com algum discurso liberal económico". "Mas com franqueza, depois do tempo da troika, o que é que se quer, é, à brasileira, privatizar a segurança social, qual é o sentido dessas políticas?", questionou.

A 1.ª Convenção da Europa e Liberdade está marcada para os dias 10 e 11 de janeiro, e deverá juntar figuras como Assunção Cristas, Paulo Portas, Pedro Santana Lopes, Miguel Morgado, Luís Montenegro e Luís Marques Mendes, segundo noticiou a agência Lusa.

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