Quando vai Rio responder a Montenegro? "As coisas têm o seu tempo, a sua calma"

Rui Rio chegou e saiu do Conselho Estratégico Nacional do PSD, que reuniu esta manhã em Coimbra, sem responder diretamente ao repto lançado por Luís Montenegro que ontem o desafiou a marcar eleições diretas e a apresentar a sua própria candidatura.

À entrada da reunião, o presidente dos sociais-democratas não quis responder a perguntas. No final da sessão, voltou ao discurso de ontem à noite. Insistiu que não é "hipócrita" e que não vai "fazer de conta que não aconteceu nada".

"Volto a dizer não sou hipócrita e depois há aqui uma característica que reafirmo e que acho que explica o que penso: eu fui corredor dos 100 e 200 metros quando era estudante universitário, com a vida não sou corredor de 100 metros, de sprint, sou mais de fundo ou neste caso de meio fundo", disse.

Questionado diretamente sobre quando iria reagir ao desafio e ao discurso de Montenegro, Rui Rio acrescentou que "as coisas têm o seu tempo, a sua calma". "Não vamos dramatizar as coisas, mas repito não sou hipócrita e portanto não vou fingir que não vi nada", afirmou.

O dirigente social-democrata garantiu ainda que a reunião do Conselho Estratégico Nacional serviu apenas "para preparar a primeira convecção nacional" deste órgão do partido, que vai realizar-se no dia 16 de fevereiro no Europarque, em Santa Maria da Feira. "[Vai ser] uma coisa muito grande, com muitas centenas de participantes e foi isso que estivemos a preparar", sustentou.

"Uma situação de assalto ao poder"

Rui Rio não comentou as palavras de Luís Montenegro, mas um vice-presidente do PSD, Maló de Abreu, não deixou de atacar o antigo líder parlamentar, acusando-o de estar a fazer um "assalto ao poder" no partido e de fazer "politiquice" a três meses das eleições Europeias.

"Rui Rio candidatou-se com uma estratégia, com um caminho, que tem sido seguido e, portanto, parece-me absolutamente descabido, desnecessário e altamente prejudicial para o partido o que se está a passar neste momento", defendeu, à entrada para o Conselho Estratégico.

Na opinião de Maló de Abreu "óbvio" que se está perante "uma situação de assalto ao poder e de medo, receio de perder posições e, sobretudo, lugares", que deve merecer uma resposta "enérgica e com força".

"É de uma irresponsabilidade política que os portugueses não entendem"

Também o presidente dos autarcas sociais-democratas, Álvaro Amaro, se colocou ao lado de Rui Rio. À chegada ao Conselho Estratégico, o presidente da Câmara da Guarda disse que gostava de perceber "as reais motivações" que levaram Luís Montenegro a lançar-se agora na corrida pela liderança do partido.

"As reais motivações não podem ser, não estamos a ser sinceros, dizer-se que o líder do partido não fez.... O líder do partido é derrotado em sondagens? Eu nunca vi uma coisa destas. Um líder do partido ganha ou perde eleições, deixemos o dr. Rui Rio disputar eleições", vincou.

Álvaro Amaro lamentou ainda que Luís Montenegro prometa "unir o partido", defendendo que o antigo dirigente laranja está a fazer exatamente o oposto com "atos políticos desta natureza".

"É de uma irresponsabilidade política que os portugueses não entendem neste momento, mas eu estou absolutamente convicto, e não é apenas por ser o politicamente correto, o PSD presidido por Rui Rio sairá deste ato muito mais reforçado para ganharmos as eleições", concluiu.

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