Política

"Resolvido o irritante", Costa quer encontros anuais entre Portugal e Angola

Antes da primeira visita, em sete anos, de um chefe de Governo português a Angola, António Costa diz ao DN que a relação deve ser "praticamente anual", com o reforço da cooperação.

Alargar linhas de crédito a Angola, evitar a dupla tributação e começar a tratar do pagamento de dívidas a empresas portuguesas e da diferença de divisas. Tudo pontos incluídos na agenda da visita, de dois dias, de António Costa a Angola.

Em entrevista ao Diário de Notícias (DN), em vésperas da partida para Luanda, o primeiro-ministro diz que "resolvido o irritante, tudo ficou bem".

"Ficou sempre muito claro que as relações entre Portugal e Angola não tinham nenhum problema político. Eram boas do ponto de vista económico e tinham um único irritante que se prendia com uma questão judicial. Ultrapassada essa questão judicial, nada mais ensombrava as nossas relações", vinca Costa, numa referência ao processo judicial que envolve Manuel Vicente e foi remetido para Angola.

O passo seguinte é tornar mais frequentes os encontros ao mais alto nível. António Costa defende que a "relação devia ser anual".

"A intensidade da nossa relação, do ponto de vista político, do ponto de vista económico, do ponto de vista que cada um dos nossos países pode ajudar para esse grande desafio que temos neste século que é a relação entre a África e a Europa, exigia que, enfim...não nos encontrássemos todos os meses, mas pelo menos todos os anos."

Para António Costa, o facto de, no espaço de um mês, ir a Angola e de João Lourenço, presidente angolano, visitar Portugal traduz o regresso à "normalidade".

"O que é estranho é que nos últimos sete anos, nenhum primeiro-ministro português ter ido a Angola e, nos últimos 8 anos, nenhum Presidente angolano ter vindo a Portugal", diz Costa em entrevista ao DN.

Num olhar para o passado recente, o primeiro-ministro considera que foi " a paixão especial" que os portugueses têm por Angola que "levou a que se confundisse aquilo que é essencial: uma relação Estado a Estado. Governo a Governo, com debates, cá e lá, sobre as políticas internas de cada um dos países."

"Nós temos de ter com Angola, como temos com todos os outros países de expressão lusófona, uma relação fundamental que é: nós somos amigos do povo, do país e do Governo que está em funções em cada momento... Haver essa unanimidade na sociedade portuguesa é da maior importância", sublinha o chefe do Governo português, insistindo que "a relação tem que ser assente na amizade, no respeito mútuo, na igualdade de tratamento, porque é assim que conseguimos ir resolvendo os problemas".

Na entrevista ao DN, António Costa defende ainda que Angola vai ser "uma das grandes potências africanas da próxima década" e pode ser aliada da Europa na questão da imigração.

"Agora que Angola tem condições para não estar virada sobre si mesma e se pode abrir ao mundo, temos grande expectativa que, com a presidência de João Lourenço se afirme nesse papel liderante não só na África Austral, mas no continente africano".

António Costa manifesta ainda o desejo de que as relações Europa/ África sejam "o grande tema" da próxima presidência portuguesa da UE, em 2021.

António Costa inicia na próxima segunda-feira, uma viagem de dois dias, a Angola, onde deverá estar também em destaque "um novo programa estratégico de cooperação", que além das áreas tradicionais, como a saúde, como a educação, deve alargar-se ao domínio da soberania, com "cooperação técnico-militar, técnico-policial e tributária", detalha António Costa.

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