Rio é "um general sem tropas", dizem apoiantes de Montenegro

Almeida Henriques e Duarte Freitas defendem que, apesar de ser ano de eleições, é melhor "acabar com o clima de paz podre" e acusam o presidente social-democrata de "dar pouca atenção às estruturas" e ter afirmado uma alternativa a Costa. "Não acredito em milagres".

Um ano depois de Rui Rio ter chegado a presidente do PSD, o presidente da câmara de Viseu, Almeida Henriques, e o antigo líder social-democrata nos Açores, Duarte Freitas, consideram que "o partido não se soube constituir como alternativa credível" ao PS de António Costa. Apoiantes assumidos de Luís Montenegro, os dois social-democratas acreditam que, apesar de ser ano com três atos eleitorais, é preferível agir para travar a desgraça para o partido.

"Não podemos permitir que o carro vá em direção à parede e bata mesmo na parede", salienta Almeida Henriques, sublinhando que o antigo líder da bancada parlamentar do PSD é "o homem certo para unir o partido e revela coragem em avançar" neste momento.

"É preferível assumir agora a clarificação e a eleição de uma nova liderança, do que estarmos aqui num clima de paz podre a achar que o milagre vai acontecer", garante. E remata: "Eu sou católico, mas não acredito em milagres".

Conhecedor "do terreno" numa distrital muito importante para o PSD, Viseu, Almeida Henriques critica Rui Rio por dar "pouca atenção às autarquias" e de ser um "general sem tropas".

"Eu estou no terreno e acho que muito do capital político que Rui Rio tinha o foi delapidando. Sinto isso nas conversas com os militantes mas também enquanto autarca", afirma, acusando o atual líder social-democrata de estar "muito fechado numa bola de cristal com aquela convicção de que sozinho irá mudar o mundo. Eu nunca vi nenhum general ganhar uma guerra sem tropas. E hostilizar as tropas é meio caminho para aquilo que estamos a ver".

A crítica é partilhada pelo antigo líder do PSD açoriano. Duarte Freitas considera que "o partido retrocedeu no relacionamento com as estruturas".

"Este mau relacionamento interno no partido, a falta de resposta às ansiedades e inquietações dos portugueses faz com que tenhamos de encontrar soluções porque o PSD é demasiado importante em Portugal para que não tenha condições para oferecer aos portugueses uma alternativa", refere, acrescentando que a situação no partido não pode ficar como está.

"Rio tem sido um mau presidente do PSD", defende Freitas, que acusa a atual direção de não fazer o que lhe compete. "Tivessem a mesma rapidez a responder aos erros da governação e do Partido Socialista, não teríamos chegado a este ponto", aponta. A mudança é, por isso, para os dois apoiantes de Montenegro, bem vinda. Mesmo em ano de muitos desafios.

Continuar a ler

Patrocinado

Apoio de

Patrocinado

Apoio de

Patrocinado

Apoio de