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Tancos. PCP quer que Rio se "autoproponha" a ser ouvido na Comissão

Comunistas desafiam o líder do PSD a disponibilizar-se para ser ouvido na Comissão de Inquérito. PSD "regista" a sugestão. Deputados já aprovaram um total de 63 audições de personalidades e entidades.

O grupo parlamentar do PCP lançou, esta quarta-feira, um desafio ao presidente do PSD, Rui Rio, a propósito das declarações do social-democrata sobre o caso do furto do material militar em Tancos.

"Não requeremos a vinda [de Rui Rio à Comissão Parlamentar de Inquérito], mas achamos natural que se autoproponha a vir à comissão", disse Jorge Machado, deputado do PCP, no início da reunião da Comissão Parlamentar de Inquérito sobre as consequências e responsabilidades políticas do furto do material militar ocorrido em Tancos.

O desafio dos comunistas prende-se com as declarações feitas por Rui Rio ao longo dos últimos meses, tendo o deputado Jorge Machado recordado que o líder do PSD afirmou que, sobre o caso "não dizia tudo o que sabia" e que "tinha outras informações" que não podia revelar. "Penso que sei [mais coisas], tenho outras informações. Se eu pudesse dizer, dizia", disse, em setembro, o presidente do PSD.

Nesse sentido, o PCP sugeriu durante os trabalhos da Comissão Parlamentar de Inquérito que Rui Rio "tem um conjunto de informações" e que se deveria disponibilizar a ser ouvido no âmbito da comissão.

"Não requeremos a vinda, mas achamos natural que ele se autoproponha a vir à comissão", disse.

Pelo PSD, a deputada Berta Cabral, coordenadora dos social-democratas na comissão, referiu que houve, da parte de Rui Rio, uma "declaração posterior a explicar as declarações" e que se tratou de um "dedução lógica e racional" do líder social-democrata.

"Mas, respeitamos e registamos o interesse do PCP nas declarações", disse a deputada.

Filipe Neto Brandão, deputado do PS e presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito ao desaparecimento de armas em Tancos.

Comissão já aprovou 63 audições de personalidades e entidades

A Comissão Parlamentar de Inquérito ao furto de material militar de Tancos vai ouvir, até maio do próximo ano, 63 personalidades e entidades. Entre estas figuras que prestam depoimento está o primeiro-ministro, António Costa, que o fará por escrito.

Esta quarta-feira, os deputados da comissão aprovaram todos os requerimentos apresentados pelos partidos. Apenas um não foi aprovado por unanimidade, no caso, o que continha a lista de personalidades apresentadas pelo PS, porque PSD e CDS-PP pretendiam que houvesse ainda a possibilidade de António Costa poder fazer o depoimento de forma presencial.

A próxima reunião ficou marcada para 12 de dezembro, dia em que deve ficar definido o calendário sobre as visitas e as primeiras audições da comissão, que, prevê-se, venha a funcionar por 180 dias - podendo ser prorrogada por mais 90 dias.

Esta quarta-feira, logo pela manhã, os trabalhos da Comissão Parlamentar de Defesa - onde foi discutido que destino a dar aos documentos remetidos pela Procuradoria-Geral da República que estão sujeitos ao segredo de justiça, no âmbito do processo de Tancos - foram marcados por uma acesa troca de insultos entre os deputados Ascenso Simões, do PS, e António Carlos Monteiro, do CDS-PP, por causa dos documentos sobre Tancos.

A discussão obrigou mesmo a uma breve interrupção dos trabalhos.

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