"Tristeza e revolta" se crimes se confirmarem, mas Sócrates deixou "marca positiva"

Presidente do PS demarca partido de ações do antigo primeiro-ministro.

Carlos César afirmou que se as suspeitas e acusações imputadas ao antigo primeiro-ministro socialista José Sócrates se confirmarem, o Partido Socialista (PS) e o país ficarão entristecidos e revoltados. Numa declaração proferida na Assembleia da República, esta sexta-feira, o presidente do PS sublinhou que o partido esteve sempre do lado da transparência política.

O socialista começou por afirmar que Sócrates deixou uma "marca muito positiva como primeiro-ministro" e que conduziu o país "num período de progressos e resultados assinaláveis". No entanto, Carlos César deixa a ressalva de que o PS tem de fazer a separação entre "aquilo que é da Justiça e aquilo que é da Política".

Carlos César fez questão de demarcar o partido das polémicas de corrupção, frisando que têm sido vários os partidos e governos atingidos por acusações do género.

"Os casos que têm suscitado atenção mediática têm-se disseminado ao longo dos anos por personalidades e situações que não envolvem o Partido Socialista", defendeu o também presidente do grupo parlamentar do PS.

"Temos de ter consciência e não apagar da nossa memória inúmeras situações em que, em vários governos de vários partidos, têm existido pessoas cuja conduta e comportamento é censurável", afirmou.

O presidente do Partido Socialista sublinhou que "em circunstâncias que envolvam acusações de atos graves (...), se se confirmarem as suspeitas e as acusações, haverá entristecimento e revolta" por parte do partido e dos portugueses.

Para Carlos César, o PS sempre contribuiu para "reforçar a transparência política" e melhorar a relação e a proximidade "entre os eleitos e os eleitores", apontando como exemplo a criação da comissão parlamentar da transparência, proposta pelos socialistas, para "disciplinar e monitorizar a ação dos políticos, dos lóbis, e a envolvência de aspetos que podem tornar a atividade política menos transparente", num esforço para melhorar "a qualidade da democracia".

A transparência política e o fortalecimento da democracia são, nas palavras de César, uma das grandes preocupações dos socialistas. "E estamos numa fase em que é muito importante que isso seja demonstrado perante os portugueses", referiu.

"Os partidos políticos, não só o PS como todos os outros, devem tomar atenção a estes aspetos que ensombram as relações políticas e colocam justas dúvidas junto de muitos portugueses", concluiu.

José Sócrates anunciou, esta sexta-feira, que vai abandonar o Partido Socialista. Num artigo publicado no Jornal de Notícias, Sócrates, acusado de vários crimes financeiros, diz que está a ser alvo de "uma condenação sem julgamento".

O anúncio do antigo primeiro-ministro socialista surge depois das declarações do líder parlamentar, Carlos César, de António Costa e de vários militantes do PS sobre a "vergonha" que o caso de Sócrates tem causado ao partido.

José Sócrates aderiu ao PS em 1981 e foi secretário-geral do partido entre 25 de setembro de 2004 e 06 de junho de 2011. Ocupou o cargo de primeiro-ministro entre 2005 e 2011, quando obteve a primeira maioria absoluta da história do PS em eleições legislativas.

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