Catarina Martins defende "solução pacífica" para a Venezuela

A coordenadora do Bloco de Esquerda defendeu que seria positivo se a comunidade internacional ouvisse os apelos à paz.

A coordenadora do Bloco de Esquerda (BE), Catarina Martins, disse esta terça-feira que "era bom" que a comunidade internacional ouvisse o secretário-geral da ONU e o Papa Francisco, que tem apelado a uma "solução pacífica" na Venezuela.

"É sempre bom que nos assuntos internacionais se perceba a sua complexidade e era bom que a comunidade internacional ouvisse o secretário-geral da ONU, António Guterres, o Papa Francisco e os líderes da região que têm apelado a uma solução mediada do conflito, a uma solução pacífica, em vez de se tomar lados ou ver quem chega mais depressa ao petróleo", afirmou a bloquista na inauguração da exposição "20 anos do Bloco de Esquerda", no Porto.

Acompanhada da cabeça de lista às eleições europeias pelo BE, Marisa Matias, Catarina Martins referiu que é preciso que os "lados da Venezuela" também queiram uma solução pacífica e consigam pôr acima de tudo os interesses do povo venezuelano.

Entretanto, num comunicado sobre os recentes desenvolvimentos na Venezuela, assinado pelo secretariado do BE, o partido refere que "a administração Trump e os seus aliados anunciaram esta terça-feira a 'Operação Liberdade' com o intuito de provocar uma mudança de poder na Venezuela".

"O Bloco de Esquerda vê com preocupação a escalada do conflito promovida por atores externos à Venezuela e condena toda e qualquer tentativa de ingerência externa e de provocação militarista", aponta o BE.

No mesmo comunicado, os bloquistas também pedem que sejam ouvidos "os apelos do secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, do Papa Francisco, e de vários líderes democráticos da América Latina, que vêm oferecendo uma mediação internacional com vista a uma solução que promova a paz, a democracia e a soberania do povo venezuelano".

O autoproclamado Presidente da Venezuela, Juan Guaidó, anunciou hoje que os militares deram "finalmente e de vez o passo" para o acompanhar e conseguir "o fim definitivo da usurpação" do Governo do Presidente Nicolás Maduro.

O Governo do Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, denunciou, por seu lado, que está a enfrentar um golpe de Estado de "um reduzido grupo de militares traidores" que estão a ser neutralizados.

Na conferência no Porto, a líder do BE salientou que não haverá ninguém que não esteja de coração apertado ao ver as notícias que vêm da Venezuela e a pensar no que se pode estar a passar.

"Também olhámos com olhos de ver e não deixamos de dizer que não é normal quando há um governo, neste caso o governo norte-americano, que anuncia uma operação intitulada liberdade para a Venezuela, ingerência máxima, e agora com a tensão e conflito que nós não sabemos por onde vai escalar", sublinhou.

As posições são difíceis quando se tem os direitos humanos, liberdade e autodeterminação como guia, adiantou, acrescentando que "nenhum outro guia" pode servir que não este.

Esta tarde, militares venezuelanos tentaram dispersar violentamente centenas de pessoas concentradas na autoestrada Francisco Fajardo, junto da Base Área de La Carlota, em apoio ao autoproclamado Presidente interino da Venezuela, Juan Guaidó.

Imagens divulgadas pela CNN deram conta do momento em que os militares lançaram viaturas blindadas da Guarda Nacional Bolivariana (GNB, polícia militar), contra os manifestantes que respondiam com o arremesso de pedras.

Manifestantes que estiveram na autoestrada explicaram à agência Lusa que tiveram que abandonar o local porque grupos de motociclistas armados, afetos ao regime [conhecidos localmente como 'coletivos'], foram até ao distribuidor Altamira, onde efetuaram disparos para assustar os populares.

Patrocinado

Apoio de

Patrocinado

Apoio de