Mário Soares e o "socialismo na gaveta"

Será que Mário Soares quis mesmo "meter o socialismo na gaveta"? A frase, dita em 1978, deu muitas voltas.

Foi uma das frases mais marcantes do percurso politico do então primeiro-ministro e mais tarde presidente da República. "Não se trata agora de meter o socialismo na gaveta, mas de salvar a democracia", afirmava Mário Soares, em 1978, aquando da tomada de posse do segundo Governo Constitucional, numa coligação, informal, entre PS e CDS, liderados por Mário Soares e Freitas do Amaral.

Mário Soares e o "socialismo na gaveta", por João Alexandre

00:0000:00

Uma frase essencial, entenderam alguns, para a sobrevivência da oposição, que acusava Mário Soares de incoerência e de quebrar com a ideia de implantação do socialismo, mas, também determinante, entenderam outros, para o futuro de um socialismo dito europeísta e para um PS que, poucos anos depois da revolução de abril de 1974 - e logo após a primeira intervenção do FMI (Fundo Monetário Internacional), queria deixar bem claras as diferenças para com o outro projeto de socialismo em Portugal, encabeçado, à esquerda, pelo PCP.

"Não se trata agora de construir o socialismo, trata-se de recuperar a economia deste país para manter e salvar a democracia portuguesa", sublinhava, no mesmo período, o socialista, em plena Assembleia da República, durante a apresentação do Programa do II Governo Constitucional,

Um socialismo "democrático" e "europeu" para combater a ideia de um "socialismo real" de influencia Soviética, num momento em que o então primeiro-ministro sublinhava a necessidade de deixar de lado as crispações, a bem de uma concertação nacional.

"Para salvar Portugal é indispensável que se dê uma verdadeira acalmia nos debates de tipo partidário e político, e que nos esforcemos todos por entrar numa política de diálogo e de concertação", dizia, num apelo ao consenso, vincando ainda ideia de que, para o PS, era importante que a oposição não deixasse fazer o trabalho de oposição, mas que teria de deixar os socialistas governarem sem quaisquer obstruções.

Assim, na mesma intervenção, perante os deputados, Mário Soares viria a afirmar: "É preciso que a oposição se assuma como oposição, mas que assuma também a responsabilidade de deixar governar este Governo, porque esta crise política que vivemos durante dois meses prova que, se cairmos de crise em crise, é a própria democracia que está em jogo".

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG

Patrocinado

Apoio de