Relações familiares no Governo fazem a terceira vítima

João Ruivo, o marido da secretária de Estado da Cultura, pediu a demissão do cargo que ocupava na Secretaria de Estado do Desenvolvimento Regional, após duas semanas no cargo.

É já a terceira demissão na sequência da polémica das relações familiares no Governo, depois do secretário de Estado do Ambiente, Carlos Martins , e do seu adjunto e primo, Armindo Alves.

O afastamento de João Ruivo surge depois de ter sido conhecida a relação familiar entre o mesmo e a secretária de Estado da Cultura, Ângela Ferreira, sua mulher.

Um despacho publicado esta sexta-feira em Diário da República refere que o marido da secretária de Estado Ângela Ferreira tinha sido nomeado a 28 de março e outro despacho indica que foi exonerado a 10 de abril. O jornal online Observador , que avançou o caso, destaca a situação insólita da nomeação e a exoneração terem sido publicadas em Diário da República no mesmo dia.

João Ruivo desempenhava as funções de técnico especialista, apesar de não ter sido a esposa a nomeá-lo diretamente para o cargo -mas, sim, a secretária de Estado do Desenvolvimento Regional, Maria do Céu Albuquerque. A lei atual não impede casos de nomeação cruzada, tal como não o impede a nova lei que está a ser preparada na Assembleia da República, embora obrigue que os mesmos sejam tornados públicos).

Segundo o despacho publicado esta sexta-feira, foi o próprio quem pediu a demissão.

João Ruivo ocupava, simultaneamente, a função de vereador, sem pelouros, na Câmara de Cascais, depois de ter sido membro da assembleia de freguesia de Cascais entre 2001 e 2005 e da assembleia de freguesia de Alcabideche entre 2005 e 2017. É ainda vice-presidente da direção de Associação Familiar e Desportiva da Torre, tendo sido durante oito anos diretor executivo da Associação Humanitária dos Bombeiros de Alcabideche.

A carreira profissional do marido da secretária de Estado da Cultura nada tinha, anteriormente, que ver com a área do Desenvolvimento Regional, para a qual foi nomeado no Governo. Todas as experiências profissionais de João Ruivo estavam relacionadas com o ramo da informática: foi chefe de secção na FNAC; gestor de conta numa empresa de distribuição e logística para a informática; diretor de departamento na empresa J.P. Sá Couto (responsável pela distribuição dos mediáticos computadores Magalhães); "country manager" da empresa TOPCOM, gestor de Conta Sénior na empresa ADVEO e diretor de departamento na empresa GTI Software & Networking.

Também o percurso académico de João Ruivo está longe da área Desenvolvimento Regional. De acordo com a informação que consta no seu currículo, está inscrito na licenciatura Gestão Autárquica, Instituto Superior Educação e Ciências; frequentou a licenciatura em Economia no Instituto Superior de Economia e Gestão, em 2009 e, antes disso, frequentara a licenciatura em Informática de Gestão, entre 1997 e 1999, na Universidade Moderna.

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