2025 marcado por instabilidade política e "contexto geoestratégico muito sensível": portugueses acreditam que nada vai mudar

Foto: Pedro Correia/Global Imagens (arquivo)
A maioria dos portugueses acredita que 2026 não trará grandes mudanças face a 2025, segundo um estudo do Instituto para as Políticas Públicas e Sociais do Iscte (IPPS-Iscte)
De acordo com o estudo, 56% dos inquiridos considera que o próximo ano será semelhante ao atual. Há ainda um padrão consistente: os portugueses estão mais pessimistas em relação à situação internacional e à política nacional do que à economia do país e, sobretudo, à sua própria carteira.
"É, na verdade, na esfera pessoal que os inquiridos estão menos pessimistas, com apenas 25% a declarar expetativas negativas: não podemos, contudo, falar em otimismo dado que, uma vez mais, a maioria (56%) acredita que tudo se manterá como em 2025", explica Pedro Adão e Silva, presidente do IPPS-Iscte, na introdução à sondagem.
Quando questionados sobre a evolução da situação internacional, 40% dos inquiridos acredita que o contexto global irá piorar em 2026, a mesma percentagem que considera que tudo se manterá igual. Apenas 11% antecipa uma evolução positiva.
Já no plano da política nacional, 46% espera um cenário semelhante ao de 2025. Contudo, 31% prevê maior instabilidade política no próximo ano, contra apenas 14% que acredita numa maior estabilidade. Os jovens entre os 18 e os 24 anos são os menos pessimistas: só 22% antecipa um agravamento da estabilidade política, face a cerca de 30% nos restantes grupos etários.
Relativamente à economia portuguesa, 42% dos inquiridos considera que 2026 será igual a 2025, enquanto 36% espera uma degradação e apenas 14% antecipa melhorias. O pessimismo é particularmente elevado entre os que vivem com rendimentos mais baixos: 53% deste grupo acredita que a situação económica do país irá piorar, um valor 30 pontos percentuais acima do registado entre quem vive confortavelmente.
Também aqui surgem diferenças ideológicas: 41% dos inquiridos que se posicionam à esquerda espera um ano economicamente pior, mais dez pontos do que entre os inquiridos de direita.
A perceção muda quando a pergunta incide sobre a situação económica do próprio agregado familiar. Apenas 25% dos inquiridos teme uma degradação das suas finanças em 2026, um valor significativamente inferior ao registado na avaliação da economia nacional. Mais de metade (56%) espera manter o mesmo nível de vida e 16% diz-se otimista.
Os mais jovens destacam-se novamente pela confiança: apenas 14% dos inquiridos entre os 18 e os 24 anos manifesta expectativas negativas para a situação financeira do seu agregado familiar, mais de dez pontos abaixo da média nacional. Entre quem vive confortavelmente, o pessimismo é residual, com apenas 6% a recear uma deterioração.
Para Pedro Adão e Silva, a ideia de continuidade é uma das conclusões mais surpreendentes do estudo, sobretudo tendo em conta o contexto recente. "O ano de 2025 foi marcado por assinalável instabilidade política e por um contexto geoestratégico muito sensível", lembra, destacando ainda que os rendimentos mais baixos continuam a ser o fator mais associado ao pessimismo generalizado.
