Com vontade de acender a lareira? Saiba como evitar ser (mais uma) vítima de intoxicação por monóxido de carbono

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À TSF, a coordenadora do Centro de Informação Antivenenos do INEM, Fátima Rato, avisa que os sintomas da intoxicação são "muito inespecíficos" e aconselha, entre outras coisas, a uma ventilação adequado dos espaços domésticos
Quase 30 pessoas sofreram intoxicações por monóxido de carbono este ano, um valor superior ao número total de casos de 2024. A coordenadora do Centro de Informação Antivenenos do INEM, Fátima Rato, revela que a maioria dos casos está relacionada com o uso de braseiras, lareiras, esquentadores ou fogões em locais pouco ventilados.
Em declarações à TSF, Fátima Rato explica que, nesta altura de inverno, há uma tendência para fechar janelas e portas em casa, mesmo quando se está a cozinha. No entanto, alerta, o elevado número de bicos do fogão ligados pode ser o "suficiente" para provocar uma intoxicação por monóxido de carbono.
A cozinha é, então, um lugar que merece especial atenção, até porque é aqui que, muitas vezes, são instalados os esquentadores da casa, pelo que é importante verificar se os aparelhos estão nas condições ideais para trabalhar. Equipamentos com problemas técnico levam, muitas vezes, a um aumento da produção de monóxido de carbono e, consequentemente, ao número de intoxicações.
A médica desfaz, porém, o mito de que estes casos afetam apenas as zonas rurais e rejeita associar o número de intoxicações por monóxido de carbono a uma questão de pobreza energética.
"Há muita gente, por exemplo, que tem segundas casas no campo e que adora ter uma lareira em casa e estar à lareira. Isso não está necessariamente ligado a dificuldades ou recursos financeiros mais reduzidos. Eu acho que isto é transversal. Não posso fazer uma ligação direta entre essas causas", vinca, acrescentando que este é um fenómeno "disperso".
O INEM sublinha, por isso, a necessidade de utilizar com segurança estes aparelhos que possam produzir este tipo de gás invisível e sem cheiro. É importante ventilar a casa, com a abertura de portas e janelas e estar atento aos sintomas, que são "muito inespecíficos".
"A pessoa pode ter uma dor de cabeça, ficar um bocadinho nauseada, sentir algumas tonturas. Até quase que parece uma constipação", descreve.
Em casos mais graves, pode levar mesmo ao desmaio. É, assim, imperativo garantir a ventilação adequado dos espaços domésticos, porque quanto está tudo fechado "o risco é muito mais elevado".
Fátima Rato aponta ainda como boa forma de prevenção o recurso a medidores de dióxido de carbono. A coordenadora do Centro de Informação Antivenenos do INEM também recomenda a verificação de esquentadores e aquecedores com botijas de gás antes do inverno.
No caso de haver uma intoxicação por monóxido de carbono, o INEM recomenda ainda a retirada de pessoas para a rua. Os indivíduos devem contactar o CIAV (800 250 250) ou o 112, em caso de intoxicação por monóxido de carbono, alertou o INEM.
