
Barragem do Tua
DR/JN/Eduardo Pinto
A Autoridade para as Condições do Trabalho fez hoje 30 notificações e levantou vários autos por falta de segurança e outras irregularidades na obra da barragem do Tua, que já fez quatro mortos e oito feridos.
O inspetor-geral, Pedro Pimenta Braz, participou na ação inspetiva realizada hoje nas diferentes frentes de trabalhos e adiantou à Lusa que estas ações são para continuar, numa altura em decore o pico da obra, com cerca de 600 trabalhadores, e os riscos aumentam, nomeadamente o perigo de queda em altura com a construção do paredão.
Na visita de hoje ao estaleiro, a Autoridade para as Condições do Trabalho (ACT) detetou falta de proteções coletivas de guarda corpos para evitar quedas em altura, utilização de escadas de mão sem estarem ancoradas, falta de acessos ou acessos deficientes às plataformas de trabalho, ferros sem proteção, frentes de trabalho sem água para os trabalhadores e trabalhadores a fazerem horários de 10 horas por dia.
«Fizemos cerca de 30 notificações de tomadas de medidas no que diz respeito a segurança no trabalho, vamos levantar alguns autos de notícia no que diz respeito ao não registo dos tempos de trabalho de alguns subempreiteiros e vamos cruzar estes não registos de tempos de trabalho com aquilo que alguns trabalhadores nos disseram», concretizou.
A obra da barragem de Foz Tua começou em fevereiro de 2011 e desde então já ocorreram quatro acidentes com quatro mortos e oito feridos.
O último acidente foi a 23 de maio e resultou na morte de um trabalhador numa queda em altura. O mais grave registou-se em janeiro de 2012, quando três trabalhadores morreram soterrados devido a um desprendimento de terras de um talude.
Poucos depois, em fevereiro de 2012, cinco trabalhadores ficaram feridos ao serem atingidos por fragmentos de rochas projetadas num rebentamento. Em agosto de 2011, a queda de uma plataforma feriu três trabalhadores.
O inspetor-geral da ACT frisou que a ACT vai continuar a realizar ações inspetivas como a de hoje «com grande intensidade» por se tratar «de uma obra que, dadas as suas características necessita de um acompanhamento acentuado».
As obras da barragem de Foz Tua, em construção na confluência dos concelhos de Carrazeda de Ansiães (Bragança) e Alijó (Vila Real) deverão prolongar-se, pelo menos, por mais dois anos.