Agricultores de Odemira estimam prejuízos na ordem dos 30 milhões de euros após temporal

Créditos: Luís Forra/Lusa (arquivo)
A chuva não tem dado tréguas e os agricultores de Odemira não têm conseguido recuperar do rasto de destruição causado pelas depressões Kristin e Leonardo. Vão ser necessários três meses para que as plantações voltem a crescer
A Associação de Horticultores, Fruticultores e Floricultores dos Concelhos de Odemira e Aljezur (AHSA) estima que os prejuízos provocados pela tempestade podem chegar aos 30 milhões de euros. O vento e a chuva provocaram vários danos em instalações agrícolas e em centenas de hectares de estufas e túneis.
"Não pára de chover. OS danos iniciais em algumas estruturas, particularmente em estufas e em túneis, mas também nas próprias culturas, só se têm agravado." Por isso, "admitindo que a tempestade termina por volta de terça-feira, [...] eu não me admiraria que [o prejuízo] ficasse qualquer coisa entre os 20 e os 30 milhões [de euros]", disse o presidente da AHSA, Luís Mesquita Dias, em declarações à TSF.
"A situação ainda continua a evoluir e não no sentido positivo."
Devido à destruição, Luís Mesquita Dias não descarta a possibilidade de alguns produtos terem de vir de outras zonas da Europa.
"As empresas estão, a maior parte delas, muito preparadas para eventos, mas não desta magnitude. E, nesse sentido, existem canais alternativos de importação que, nestas situações, costumam resolver o problema", referiu.
Ainda assim, há "problema agravado, sobretudo na área dos hortícolas". A maioria deles "vêm de Espanha ou de Itália" e, uma vez que estas tempestadas se centraram muito no sul da Europa, ambas estão afetadas", acrescentou. "Portanto, haverá a possibilidade de recorrer a produtos do norte da Europa, ou pelo menos do centro da Europa."
Agora é tempo de colocar mãos à obra. Luís Mesquita Dias estima que a recuperação possa demorar "entre 10 a 12 semanas, no mínimo".
Treze pessoas morreram em Portugal desde a semana passada na sequência da passagem das depressões Kristin e Leonardo, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações são as principais consequências materiais do temporal.
As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas.
O Governo prolongou a situação de calamidade até dia 15 para 68 concelhos, que irão beneficiar de medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.
A situação de calamidade em Portugal continental foi inicialmente decretada entre 28 de janeiro e 01 de fevereiro para cerca de 60 municípios, tendo depois sido estendida até ao dia 08 para 68 concelhos, voltando a ser prolongada até 15 de fevereiro.
