Alunos estrangeiros discriminados por professores. Fenprof entende que língua é principal barreira para inclusão

Créditos: Rita Chantre (arquivo)
Um estudo da Universidade Nova de Lisboa mostra que 35% dos alunos estrangeiros já se sentiram discriminados por um professor. A Fenprof defende que sem turmas de português língua não materna, a inclusão destes alunos torna-se difícil
Um em cada três alunos estrangeiros, ou com origem imigrante, já se sentiu discriminado por um professor. A conclusão é de um estudo coordenado por Sílvia de Almeida, do Centro Interdisciplinar de Ciências Sociais, da Universidade Nova de Lisboa, apoiado pela EPIS.
Na origem da discriminação está a cor da pele, a aparência física ou o território de origem, segundo o relatório, que questionou 1400 estudantes de nove escolas dos concelhos de Lisboa, Amadora e Sintra. A investigação concluiu que quase 47% dos casos de discriminação ocorre entre alunos, mas 35% dos alunos estrangeiros afirmam ter-se sentido descriminado por um professor.
Em declarações à TSF, José Feliciano Costa, secretário-geral da Fenprof, acredita que a discriminação nas escolas começa desde logo pelo idioma e pela falta de turmas de português língua não materna. "Evidentemente que isto cria problemas dentro das escolas, tenho a certeza de que cria algum sentimento de exclusão, mas não me parece que isso seja imputável nem aos professores, nem aos colegas. Não está a ser cumprido o que diz a lei, que é a obrigatoriedade de criar turmas de português língua não materna e de dar apoio a estas crianças", argumenta.
O secretário-geral da Fenprof denuncia a transferência destes professores para outras turmas ou funções, o que tem vindo a agravar a falta de turmas dedicadas aos alunos estrangeiros ou com origem imigrante. "Nós conhecemos casos, aqui na área de Lisboa, onde muitos destes professores, que estariam disponíveis para o lecionar português língua não materna, estão alocados a outra disciplina, alguns até, por exemplo, dão aulas ao primeiro ciclo", revela. José Costa Felicino defende que o problema só se resolve com mais docentes nas escolas.
Já Pedro Barreiros, dirigente da Federação Nacional de Educação, desvaloriza o estudo por considerar que "a amostra acaba por não ser representativa do conjunto do país", uma vez que "as zonas urbanas, com forte imigração, têm dinâmicas sociais muito específicas e não podem ser generalizadas automaticamente a todas as escolas portuguesas".
Pedro Barreiros defende, por isso, que é preciso conhecer melhor o que está por detrás dos relatos destes alunos. "Não estamos a querer dizer que não haja casos, episódios e situações. Agora importa perceber de que forma foram recolhidos estes testemunhos. Presumo que seja em autodeclarações de alunos sobre determinadas experiências de discriminação. Medem-se perceções e experiências vividas, mas não mede diretamente a intenção dos professores, nem comprova automaticamente uma discriminação objetiva", considera.