
Bruno Simões Castanheira/Global Imagens
A grande maioria da população já não depende de hospitais psiquiátricos de estadia prolongada, contudo nos hospitais gerais que passaram a seguir estes doentes continuam a faltar cuidados na comunidade e ao domicílio, mantendo modelos há muito ultrapassados.
Faltam recursos humanos. Esta é a principal razão apontada neste relatório para o tratamento das doenças mentais se continuar a fazer, na maioria dos casos, nos hospitais.
Um modelo ultrapassado, advertem os especialistas, já que a resposta deveria passar, por exemplo, por uma intervenção no domicílio por forma a privilegiar a integração dos doentes na comunidade.
O problema não é exclusivo de Portugal. Dos 21 países analisados com informação disponível, só oito prestam este tipo de cuidados mais voltados para a comunidade.
Entre os aspetos a melhorar, é sublinhada a necessidade de promover uma maior colaboração entre a rede de cuidados primários, os programas integrados para doentes mentais graves, os centros de saúde mental e os programas de intervenção domiciliária, que atualmente têm uma expressão muito modesta, sublinha o documento.
Não se pense também que tudo é mau. Entre os aspetos positivos, o relatório salienta que a maioria da população já não depende dos hospitais psiquiátricos de estadia prolongada.
Os hospitais gerais já asseguram os cuidados a mais de 75% da população. Um contributo importante para esta cifra, o fecho do mais antigo hospital psiquiátrico do país, o hospital Miguel Bombarda. Os serviços desta unidade foram dispersos por vários hospitais de medicina geral.
Estas são as principais conclusões do primeiro relatório nacional e do relatório europeu sobre transição dos cuidados de saúde mental para a comunidade que são hoje apresentados na Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova de Lisboa.
Os relatórios da "EU Joint Action on Mental Health and Wellbeing" focam os aspetos positivos e negativos da transição de modelos institucionais para modelos baseados na comunidade.
O coordenador da saúde mental em Portugal concorda considera que a venda do hospital psiquiátrico Miguel Bombarda não se traduziu, como estava previsto, em investimentos para a área da saúde mental.
Álvaro Carvalho sublinha a falta de investimento na área dos cuidados continuados da doença mental grave e que deve substituir os antigos hospitais psiquiátricos, garantindo a estes doentes um acompanhamento permanente.