Autarca de Leiria responde a Pinto Luz: se estivessem tanto tempo sem luz, teriam "o coração e a cabeça com outra determinação"

Créditos: Manuel de Almeida/Lusa (arquivo)
Em declarações à TSF, Gonçalo Lopes lembra que esta não foi uma "tragédia qualquer", exige um "esforço suplementar" e lamenta que ao fim deste tempo todo ainda não tenha sido dado um sinal às pessoas de que vai haver uma luz.
O presidente da Câmara de Leiria assegura que esta não é uma questão política, mas sim "uma questão humanitária". Depois de o ministro das Infraestruturas ter refutado a acusação de que a resposta aos impactos da depressão Kristin "seria mais rápida se atingisse casa de quem governa", afirmando que o autarca falou com o "coração junto à boca", Gonçalo Lopes lembra que está todos os dias no terreno e conhece perfeitamente os problemas que as pessoas estão a enfrentar. "Nenhum governante fora do concelho consegue estar a sentir aquilo que um autarca sente", vinca.
Gonçalo Lopes reconhece na TSF que está a ser feito um esforço, sobretudo pela E-Redes, mas sublinha que ainda há mais de 20 mil pessoas que estão há 12 dias sem luz e isso, defende, exige "uma atenção redobrada, uma energia e um esforço suplementar".
"Se isto tivesse acontecido não nos caminhos mais florestais, na casa do idoso, das pessoas que neste momento estão mais desprotegidas - porque é disso que se trata, a cidade de Leiria tem luz, mas não têm os sítios mais rurais, os sítios mais afetados, aqueles onde há mais floresta e onde a tempestade mais destruiu casas -, de certeza absoluta que olhávamos com outra preocupação para estes problemas, por isso, eu quis dizer o que disse", explica o autarca.
Certo de que esta é uma tragédia que marca "a história contemporânea de Portugal", Gonçalo Lopes defende que "o país tem de estar unido e, sobretudo, os governantes têm de perceber que têm de ter uma intervenção mais robusta".
"E intervenção mais robusta não é só a presença dos ministros do terreno. É a capacidade de olhar para este problema e de ter a capacidade de acionar os meios fora de Portugal para conseguirmos resolver isto o mais rápido possível. Senão, andamos de tempestade em tempestade e nunca mais saímos disto", completa.
Além disso, para o presidente da Câmara de Leiria, o Governo deve um sinal às pessoas que estão há tanto tempo sem eletricidade. Uma garantia de que haverá um momento em que vai haver uma luz.
"Já morreram 16 pessoas, tantas como morreram no Elevador da Glória. Espero que não morra mais ninguém. Mas esta não é uma tragédia qualquer."
O autarca apela, por isso, a um reforço da mão de obra, para apoiar as pessoas "que estão na linha da frente há tantos dias e a sofrer tanto aquilo que é trabalhar nestas condições em que a chuva não pára".
"Nós devíamos ter tido há mais dias a equipa que chegou da Irlanda, a equipa que chegou da França. Os geradores tinham de ter vindo mais cedo. Nós podíamos ter evitado muitas situações que estão a acontecer", defende.
A passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta provocou, além das mortes, muitas centenas de feridos e desalojados.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do temporal.
As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas.
O Governo prolongou a situação de calamidade até dia 15 para 68 concelhos e anunciou medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.