Banco Alimentar faz 35 anos. Uma "referência de esperança" para quem precisa de ajuda "numa altura crítica da vida"

Créditos: Miguel Pereira (arquivo)
Em declarações à TSF, Isabel Jonet faz o balanço das mais três décadas de atividade
O Banco Alimentar assinala, esta sexta-feira, 35 anos, contando atualmente com 21 postos autónomos que alimentam mais de 380 mil pessoas. Em declarações à TSF, a presidente da instituição faz o balanço das mais de três décadas de atividade, destacando que o que mais mudou foi o perfil de quem necessita de ajuda "numa altura crítica da vida".
"Antes, tínhamos mais idosos, principalmente mulheres com baixas pensões de reforma que não tinham feito uma carreira contributiva. Agora, as pessoas que precisam de ajuda são pessoas que têm um emprego, mas aquilo que ganham não chega para as necessidades do agregado, porque o preço da habitação, alimentação e energia consomem grande parte do orçamento", explica à TSF Isabel Jonet, sublinhando que "não há uma diminuição dos pedidos de ajuda, mas, sim, uma alteração do perfil".
A presidente do Banco Alimentar reconhece que a instituição teve os seus momentos difíceis ao longo dos anos, especialmente no que toca à "sensibilização" das empresas para a missão da instituição.
"Também o caminho que fizemos para conseguir os benefícios fiscais que criavam um incentivo às doações e sensibilizar os voluntários. Começámos nas escolas, nas universidades e temos hoje uma grande cadeia de voluntários que conhecem o Banco Alimentar. Manter a confiança é uma exigência diária, precisamente porque todas as pessoas olham para o Banco Alimentar como uma referência, mas, sobretudo, como uma referência de esperança e de capacidade ou possibilidade de terem uma mão numa altura crítica da sua vida", afirma.
Isabel Jonet destaca também o papel do voluntariado jovem e frisa que "o que fica" destes anos de atividade é a ideia da "congregação e da mobilização da sociedade civil do bem comum", recordando que no início a missão era "combater o desperdício alimentar", mas que depressa se tornou mais "agregadora".
A presidente do Banco Alimentar gostaria que, no futuro, a missão "pudesse fechar", algo que seria um bom sinal, pois "não haveria desperdício de alimentos", nem "pessoas a precisar de ajuda para comer".
