Barragem do Alqueva atinge 94% da capacidade máxima, mas descargas não são opção

Créditos: DR (arquivo)
O engenheiro José Pedro Salema, da empresa de desenvolvimento e infraestruturas do Alqueva, adianta, em declarações à TSF, que não estão previstas descargas, até porque "a barragem do Alqueva está desenhada para estas situações"
A chuva não tem dado tréguas e fez aumentar o volume de água na barragem do Alqueva. A maior reserva do país alcançou os 94% da capacidade total de armazenamento, o que equivale a mais de três mil milhões de metros cúbicos de água. O engenheiro José Pedro Salema, presidente da empresa de desenvolvimento e infraestruturas do Alqueva (EDIA), defende, em declarações à TSF, que a albufeira caminha a passos largos para "o nível de pleno armazenamento, um volume importante". No entanto, ressalva, os 6% de armazenamento restantes, "apesar de parecerem pouco", representam "mais do que outras albufeiras juntas".
Por enquanto, as descargas não são uma opção. José Pedro Salema refere que os profissionais "tentam sempre [fazer com] que o volume máximo seja retido". Isto porque uma descarga "não gera benefício nem valor nenhum", apesar de ser "um espetaculo visual muito interessante", acrescenta.
"O Alqueva só descarrega se, depois de atingir a sua capacidade máxima, o volume de água que chega à albufeira for superior à capacidade de vasão das turbinas", clarifica, sublinhando que essas turbinas permitem "uma saída de água que gera eletricidade e valor".
De acordo com o presidente da EDIA, este é "o terceiro ano consecutivo em que a barragem fica muito próxima do nível de pleno armazenamento". Nessa altura, a gestão da água acumulada foi feita "de forma milimétrica", sem recorrer a descargas e utilizando apenas as quatro turbinas presentes na albufeira do Alqueva.
José Pedro Salema transmite ainda uma mensagem de traquilidade, garantindo que "esta situação é perfeitamente normal". Assegura que a barragem "está desenhada para estas situações" e que a estrutura ainda está "muito longe dos níveis máximos toleráveis". Não há, portanto, "qualquer razão para alarme".
"Devemos desejar que as barragens estejam cheias, porque isso dá-nos uma tranquilidade para os verões futuros, que estão assegurados quando a albufeira chega a estes níveis de armazenamento", sublinha.