Caravanas da Fenprof percorrem país para falar dos problemas da escola pública

Créditos: Rita Chantre/Global Imagens (arquivo)
À TSF, um dos secretários-gerais da Federação Nacional de Professores adianta que a iniciativa marcará presença em todos os distritos para falar dos desafios que a escola pública enfrenta e ouvir a comunidade educativa. José Feliciano Costa acusa o ministro da Educação de estar a "assobiar para o lado" e de não querer enfrentar um problema "que destrói a escola pública: a falta de profissionais"
Com caravanas, a Federação Nacional de Professores (Fenprof) vai fazer-se à estrada e percorrer o país para ouvir professores e encarregados de educação sobre os problemas da educação pública e para sensibilizar os autarcas para as dificuldades que se fazem sentir.
As caravanas vão passar por todos os distritos do país de 19 de fevereiro a 4 de março. A viagem começa no Porto e na Madeira e termina em Lisboa.

À TSF, um dos secretários-gerais da Fenprof garante que as caravanas, sob o lema "Somos professores, damos rosto ao futuro", passarão por todos os distritos do país. José Feliciano Costa adianta que, além dos problemas já conhecidos, como o "desinvestimento na escola pública" ou a "falta de valorização da carreira de professor", a iniciativa trará visibilidade a dificuldades sentidas nas diferentes localidades.
"Temos, por exemplo, na Área Metropolitana de Lisboa e em Setúbal, escolas onde não há professores do primeiro ciclo. Aliás, as crianças ainda não tiveram o seu professor do primeiro ciclo e nós vamos já no segundo período", sublinha.
"Há outras escolas no norte e no centro que, além destes problemas, terão outros: problemas de infraestruturas, escolas onde o desinvestimento é notório, problemas de envelhecimento muito específicos, escolas onde o corpo docente está muito envelhecido e, portanto, a renovação não é feita."
Esta terça-feira, a Fenprof terá uma conferência de imprensa, em Lisboa, onde anunciará o percurso detalhado destas caravanas e também os novos dados sobre a educação pública no país. José Feliciano destaca o aumento do número de alunos sem professores. De janeiro de 2025 a janeiro de 2026, "o aumento do número de alunos sem aulas é de 28,4%".
"Durante este mês de janeiro e, em muitas semanas, nós tivemos mais de 150 mil alunos a quem faltou pelo menos um professor numa disciplina. Isto, de facto, é um problema que se vai agravando, já não é de ano para ano, é de semana para semana e nós continuamos com o processo de revisão do estatuto que não valoriza a carreira."
Além destes dados, José Feliciano Costa destaca ainda, em período homólogo, "um aumento, em horários que vão para contratação de escola, de 38,3%" e "um aumento de horas para a contratação de escola de 39,7%".
Perante estes dados, o secretário-geral expressa críticas a Fernando Alexandre. "Parece que o senhor ministro [da Educação], como este Governo, continua a assobiar para o lado, não querendo encarar um problema muito complicado, um problema complexo, que destrói a escola pública, que é a falta de profissionais", acusa.
