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Os veículos com o chamado sistema keyless (sem chave convencional) podem ser assaltados pela mesma via eletrónica e sem deixar vestígios - umas vezes com bloqueio, outras com amplificação do sinal eletromagnético. As autoridades não têm números oficiais: a PSP diz à TSF que são casos raros e a GNR tem um vídeo de alerta nas redes sociais
É uma novidade dos automóveis mais recentes: em vez da chave convencional, têm um mecanismo eletrónico que permite abrir e fechar as portas e ligar a ignição sem recurso a chave, apenas pela proximidade. A novidade pode, no entanto, ter custos em termos de segurança.
Os alertas já têm alguns anos, mas as autoridades portuguesas não discriminam este tipo de crime nas estatísticas oficiais. Não é possível saber a dimensão do problema e, depois de contactar várias marcas de automóveis e companhias de seguros, ninguém se dispôs a dar dados sobre como estão a lidar com estes casos.
A TSF falou com um residente na região de Cascais. Pedro (nome fictício) teve dois carros assaltados por esta via no espaço de sete meses. "Aconteceu três vezes, com os carros estacionados à porta de casa. Fiz pesquisa na internet e penso que foi com algum método de amplificação do sinal da chave", conta à TSF.
Abriram os carros e roubaram bens de valor que estavam no interior das viaturas, mas Pedro não tem dúvidas: "Podiam ter levado o carro, em ambas as vezes, porque estavam perfeitamente operacionais."
O segundo assalto aconteceu depois de vários contactos com a marca, "que se desresponsabilizou". "Enviaram-me um catálogo com sistemas de segurança mais robustos, mas teria de pagá-los à parte, o que não me parece justo", diz.
Sem pagar mais, Pedro conseguiu apenas um novo código para chave e o resultado foi ser vítima do segundo assalto.
O comissário Rodrigo Amaral, do Departamento de Investigação Criminal, explica à TSF que a polícia tem conhecimento de casos destes. "Até já apreendemos bloqueadores de sinal", mas nada indica que existam muitos queixosos. Por outro lado, "é difícil investigar".
"Quando o condutor usa a chave eletrónica para fechar o carro, por norma, os suspeitos estão nas imediações, normalmente em parques de estacionamento e têm uma ferramenta que inibe os sinais eletromagnéticos. Quando a vítima vai fechar o carro, o sinal da chave é bloqueado, não passa da chave para o veículo e, embora pense que tem o carro fechado, as portas ficam abertas." O resto depende da audácia do ladrão.
A GNR, por seu lado, tem divulgado um alerta nas redes sociais, onde o agente Ivan Silva explica o que é o Relay Attack ou ataque de retransmissão. Neste caso, em vez de bloquear, os ladrões usam um equipamento que amplifica o sinal da chave. Podem, desta forma, abrir as portas e ligar o carro à distância. Basta que a chave eletrónica esteja perto de portas ou janelas.
As autoridades recomendam alguns cuidados que podem dificultar estas práticas. Manter a chaves do carro longe de portas ou janelas, se possível dentro de algo que possa bloquear o sinal, como uma lata de metal. Confirmar que o carro está fechado depois de acionar o fecho eletrónico também pode despistar se haverá um bloqueador de sinal por perto. Em qualquer caso, é essencial apresentar queixa.