"Casas estão todas a partir." Almada pede a Governo que reconheça "situação de calamidade"

Créditos: António Pedro Santos/Lusa
Na TSF, Inês de Medeiros diz que câmara está em conversações com a secretária de Estado da Habitação para tentar arranjar uma "solução digna" para as pessoas desalojadas
A presidente da Câmara de Almada, Inês de Medeiros, ainda não recebeu o relatório da avaliação feita pelo Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC), mas assegura que "existe um grande monte de terra que está a deslizar e as casas estão todas a partir". Inês Medeiros pede que o Governo reconheça esta "situação terrível de calamidade".
"Ainda não tenho o relatório sobre a visita de ontem [terça-feira] do LNEC para ver se podemos ir mais longe. Estamos com drones em permanência, mas mesmo com monitorização é difícil prever onde é que o deslizamento, numa extensão tão grande, pode acontecer", afirmou Inês Medeiros, em declarações à TSF.
Segundo a autarca, há duas duas situações diferentes em Almada. "Por cima de Porto Brandão temos um grande monte de terra que está a deslizar e as casas estão todas a partir. Vai deslizando e não sabemos quando é que esse deslizamento vai acontecer. Temos também, na Costa da Caparica, onde a arriba é muito frágil e quase areia. Há risco previsível", explicou.
Até ao momento foram retiradas de casa mais de 400 pessoas que estão em locais cedidos pela câmara, ou acolhidas em casas de familiares. Inês Medeiros adiantou ainda que cerca de 150 pessoas não vão poder voltar a casa.
"Estamos a fazer um levantamento para perceber quantas [pessoas] não têm mesmo nenhuma outra alternativa. Estamos em conversações com a secretária de Estado da Habitação para tentar arranjar uma solução digna. Vamos começar a falar com as pessoas individualmente, até agora tem sido uma situação de emergência, para que ninguém saia ferido e não haja nenhuma tragédia", disse.
Para a presidente da câmara, é "urgente" que o Governo reconheça a situação "terrível" de calamidade que se está a viver em Almada: "O perigo não parou", concluiu.
Dezoito pessoas morreram em Portugal na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do temporal.
As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo foram as mais afetadas.
A situação de calamidade que abrangia os 68 concelhos mais afetados terminou a 15 de fevereiro.
