
O Presidente da República acredita que pode haver «uma inversão da conjuntura» no final do ano e considerou que Portugal irá cumprir «os objetivos» definidos no acordo com a 'troika'.
«Podemos pensar que há uma possibilidade da inversão da tendência da produção na parte final do ano, mas ninguém aqui consegue dar garantias, estamos a falar de indicadores, uns quantitativos, outros qualitativos, mas eu penso que existe alguma possibilidade da tendência da inversão», afirmou Cavaco aos jornalistas, comentando assim as previsões de Bruxelas para a evolução da economia portuguesa.
Lembrando que ainda há dois dias os últimos números revelados sobre o «crescimento muito forte» das exportações portuguesas, que bateram «um recorde absoluto», Cavaco Silva disse ser possível «pensar» numa mudança de conjuntura no final do ano.
Questionado se considera que Portugal falhará o défice acordado, o Chefe de Estado afirmou não haver «nenhuma indicação nesse sentido».
«Com certeza que Portugal irá cumprir os objetivos no quadro dos acordos que assinou», frisou.
A Comissão Europeia anunciou hoje que mantém as suas previsões para a evolução da economia portuguesa, uma contração de 3,3 por cento este ano e um crescimento de 0,3 por cento em 2013. Os números das previsões de primavera da Comissão, idênticos aos da última revisão do memorando de entendimento entre Portugal e a 'troika', são mais pessimistas que os apresentados este mês pelo Governo no seu Documento de Estratégia Orçamental (DEO). O Executivo espera que o Produto Interno Bruto (PIB) diminua 3 por cento em 2012 e aumente 0,6 por cento no próximo ano.
A Comissão também prevê que a taxa de desemprego (na definição do Eurostat) alcance este ano os 15,5 por cento, enquanto o Governo apenas prevê uma taxa de 14,5 por cento. Em matéria orçamental, a Comissão prevê um défice de 4,7 por cento do PIB, duas décimas acima da meta de 4,5 por cento a que o Governo está comprometido com a 'troika'.
Cavaco Silva lembrou, no entanto, que aquando da sua estada em Florença, Itália, afirmou ser "preciso reequilibrar a estratégia europeia de combate à crise do euro, tendo ao lado da disciplina orçamental uma vertente voltada para o crescimento económico".
«Nós nunca nos podemos esquecer que Portugal depende muito, muito do exterior, para o financiamento da nossa economia, para as nossas exportações, para o turismo, para os fundos europeus e para o investimento direto que pode vir do estrangeiro, e temos condicionantes que nos vêm do exterior que não podemos deixar de ter em atenção», sublinhou.
O Chefe de Estado alertou que é «bom» estar consciente "da dependência que Portugal tem em relação ao exterior", disse, acrescentando que só pode congratular-se com «medidas que possam vir a ser tomadas, ao nível europeu, para fortalecer o crescimento económico».