CGD lamenta greve durante negociação salarial e diz pagar muito acima dos concorrentes

Greve dos trabalhadores da Caixa Geral de Depósitos
Rita Carvalho Pereira
Poucas horas depois do início da paralisação convocada pelo Sindicato de Trabalhadores das Empresas do Grupo Caixa Geral de Depósitos, a administração do banco lamentou a greve que acontece esta quinta e sexta-feira e que tem como principal motivo o aumento de 0,4% dos salários, proposto para o próximo ano.
A CGD lamentou esta quinta-feira a greve convocada pelo Sindicato de Trabalhadores das Empresas do Grupo CGD (STEC) "em pleno processo de negociação de revisão salarial", garantindo que a tabela de remuneração do banco "é muito superior" à dos concorrentes.
"A Caixa Geral de Depósitos [CGD] lamenta a decisão do Sindicato de Trabalhadores das Empresas do Grupo CGD (STEC), ao contrário dos demais sindicatos da banca, de avançar para a greve em pleno processo de negociação de revisão salarial. A greve é um direito que assiste a todos os trabalhadores, mas não deve ser banalizado, nem ser uma desvantagem competitiva face aos concorrentes", sustenta, em comunicado.
Afirmando que se "comprometeu com os sindicatos a apresentar uma proposta, o que efetivamente fez", a Caixa salienta que, "apesar da falta de acordo, as negociações continuam, à semelhança dos restantes bancos".
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No comunicado, a CGD recorda que, este ano, a "massa salarial da Caixa Geral de Depósitos teve um aumento superior a 1,1%" e que, "com a atual proposta da Caixa para tabela salarial, o aumento ficará em 1,5%".
"A Caixa Geral de Depósitos tem uma tabela de remunerações muito acima dos restantes bancos com quem concorre (mais de 19%), praticando uma remuneração média para colaboradores em funções diretivas de 5.715 euros e funções não diretivas de 2.353 euros", avança, acrescentando que a pensão média é de 2118 euros.
Além da revisão da tabela salarial, a Caixa diz estar a propor também "uma atualização dos valores das cláusulas de expressão pecuniária, mesmo sendo já as mais altas da banca", com destaque para o subsídio de alimentação (11,32 euros/dia), que destaca ser "superior em 16,5% ao da banca (9,72 euros - 9,75 euros/dia)".
Por sua vez, nota, "o valor do subsídio infantil é, em média, superior em 120% ao valor do praticado em toda a banca".
"Ainda assim - salienta - a administração apresentou uma proposta de aumento no subsídio de apoio ao nascimento (+1,9%) que passará para 800 euros", e, "apesar de na Caixa o subsídio ao trabalhador-estudante ser 5,63% mais elevando que a média da banca, a proposta aumenta o seu valor em 4,7%".
Adicionalmente, a proposta apresentada pela Caixa "prevê o aumento do apoio ao estudo dos filhos até ao 12.º ano, que já é 6,56% mais alto que a média da banca, e também um aumento de 2,55% no subsídio de apoio ao estudo para o ensino superior".
"O trabalho, mérito, empenho e dedicação dos seus trabalhadores tem tido reconhecimento", garante o banco, precisando que "cerca de 1.350 colaboradores foram promovidos em 2021 e vão ser realizadas 802 promoções no primeiro trimestre de 2022", enquanto "cerca de 82% dos colaboradores tiveram prémios desempenho e potencial em 2021".
"A Caixa, como instituição relevante no setor bancário nacional, continuará a cumprir o seu papel, em concorrência com os restantes bancos, apesar da maior tabela salarial e de maiores encargos com o Fundo de Pensões (com condições únicas no país)", lê-se no comunicado.
Contudo, sublinha, "como banco português e de capitais públicos, cumpre-lhe assegurar que tem a solidez financeira para enfrentar os desafios futuros, mas também para prosseguir a missão de devolver os montantes que os portugueses e investidores que lhe confiaram quando da recapitalização de 2017".
Os trabalhadores da CGD estão em greve esta quinta e sexta-feira contra a proposta de atualização salarial feita pela administração do banco, estando prevista para esta manhã uma concentração frente à sede do banco, em Lisboa, às 12:00, com a presença da secretária-geral da CGTP, Isabel Camarinha.
Os trabalhadores do Grupo CGD defendem um aumento justo dos salários, considerando a "proposta de aumento salarial de cerca de 0,4% insultuosa e vergonhosa", segundo o STEC.
O STEC acusa a administração da CGD de uma postura de "total sobranceria, intransigência e desrespeito para com os trabalhadores", sublinhando que "esteve desde o início deste processo com total responsabilidade e disponibilidade para negociar, mas não pode aceitar a desconsideração reiterada da gestão sobre os trabalhadores da CGD".
Para o sindicato, à questão salarial soma-se "a contínua deterioração e degradação das condições de trabalho e ao facto grave e perigoso da CGD não cumprir com o horário de trabalho legalmente estabelecido" e acusa a administração da CGD de não pugnar pelo diálogo e pela paz social na empresa.