Clínica de Vigo recebeu 92 portuguesas impedidas de aceder à Procriação Medicamente Assistida em Portugal

IVI
Em Portugal, a legislação impede as lésbicas ou mulheres que não tenham um parceiro de recorrer à Procriação Medicamente Assistida. Muitas ultrapassam essa limitação legal do lado de lá da fronteira.
Susana Portela, ginecologista na clínica IVI em Vigo, especializada em técnicas e tratamentos de reprodução assistida, adiantou à TSF que nos últimos nove anos perto de uma centena de portuguesas atravessou a fronteira para tentar engravidar na clínica galega. «Desde 2006 nós tivemos cá 92 mulheres portuguesas a fazer tratamentos de inseminação artificial ou fertilização in vitro. O ano de 2014 foi o que registou maior procura com 21 mulheres».
Em Portugal, lésbicas ou mulheres que vivam sozinhas não podem recorrer à procriação medicamente assistida.
As portuguesas que recorreram aos serviços desta clínica galega assumiram que o fizeram por causa das limitações da lei. Susana Portela diz que são mulheres que «querem engravidar e não têm parceiro ou estão numa relação homossexual. A lei portuguesa não o permite e então elas procuram os nossos serviços».
Susana Portela, que já trabalhou na maternidade Júlio Dinis no Porto, lembra que em Espanha quase não existem limitações. «Em Espanha é legal que mulheres que vivam sozinhas façam estes tratamentos. A única limitação é que a doação de esperma tem de ser sempre anónima».