Coimbra teme "cheia centenária" e acorda praticamente deserta: "Cidade está parada, nem aos domingos é tão calma"
Perante o receio de uma "cheia centenária", a baixa da cidade de Coimbra está praticamente deserta. Durante a noite, o tempo foi tempestuoso, com chuva e vento, mas, segundo a Proteção Civil não foram registadas ocorrências "graves". À medida que as horas avançam, já se vê o céu azul, não está sol. Parece que o pior, nesta primeira fase, já passou.
Na Praça 8 de Maio, os comerciantes preparam-se para aquilo que poderá acontecer. "Vou arrumar a mercadoria, vou pô-la em prateleiras mais altas, para o caso de haver alguma inundação no estabelecimento", explica um comerciante aos microfones da TSF.
Já Helena, da farmácia Luciano e Matos, que está numa zona de risco, afirma que as pessoas acataram os conselhos da Proteção Civil e da Câmara Municipal e ficaram em casa. "Precaveram-se e ficaram em casa como devia ser. E, de facto, a cidade está completamente parada, nem aos domingos a cidade é tão calma como é agora", diz.
Helena passou a noite na farmácia, preocupada com o que poderia acontecer. "Passei a noite aqui, protegemos com sacos de areia, por dentro e por fora. O nosso serviço é estar aqui a prestar ajuda à população e a prestar os serviços que nos forem possíveis prestar. E, na verdade, estamos tranquilos, porque fizemos tudo aquilo que nos foi recomendado", refere, explicando que a "cheia centenária" é um fenómeno que tem "probabilidade de acontecer uma vez 1% em cada inverno".
"Felizmente é raríssimo. 1% é uma probabilidade baixa e felizmente não temos tido esse cenário nos invernos passados", assinala.
A maior parte dos estabelecimentos comerciais têm estado fechados ou a fechar. É o caso de um café, também na baixa de Coimbra, que deverá fechar pelas 10h00, "após os clientes habituais".
As áreas que serão potencialmente afetadas pela cheia em Coimbra são: zona ribeirinha de Torres do Mondego, Ceira, Conraria, Portela do Mondego, Quinta da Portela, Rossio de Santa Clara (e toda a cota baixa da freguesia), Baixa de Coimbra e zonas das ribeiras de Coselhas, Eiras, Fornos, Covões e Casais.
Dezasseis pessoas morreram em Portugal na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do temporal.
As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas.
O Governo prolongou a situação de calamidade até dia 15 para 68 concelhos e anunciou medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.
