Começam as obras finais na linha do Tua para arranque definitivo dos comboios

Afonso de Sousa/TSF
Os trabalhos deverão estar finalizados até maio do próximo ano, e, depois de vários anúncios falhados de arranque, deverão fazer com que o Plano de Mobilidade do Vale do Tua se torne uma realidade no verão de 2020.
Há cerca de duas semanas começaram aquelas que deverão ser as últimas obras antes de os comboios voltarem a circular na linha do Tua. São trabalhos que deverão estar finalizados até maio do próximo ano e que, depois de vários anúncios falhados de arranque, deverão fazer com que o Plano de Mobilidade do Vale do Tua se torne uma realidade no verão de 2020.
As empreitadas finais dizem respeito "à reabilitação do canal ferroviário e estabilização de taludes, com substituição de peças e de carris, e outra que tem a ver com a deteção precoce da queda de blocos".
"É um sistema baseado em fibra ótica que deteta vibrações que são parametrizadas e configuradas de modo a que se possa verificar preventivamente o que se passa na linha."
Quem o diz é João Manuel Gonçalves, presidente da Câmara Municipal de Carrazeda de Ansiães e simultaneamente da Agência de desenvolvimento do Vale do Tua. As duas empreitadas estão entregues à Mota-Engil e à Efacec, e "ambas são uma exigência para que este troço de linha possa funcionar em segurança e autorizado pelas entidades competentes", acrescenta o autarca.
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As obras deverão estar concluídas em maio do próximo ano para que o comboio turístico, propriedade da Mystic Tua, empresa ligada ao empresário Mário Ferreira, comece a operar no verão de 2020 a partir da aldeia da Brunheda até Mirandela, e para que também as carruagens para a mobilidade quotidiana arranquem de vez, acrescenta João Manuel Gonçalves.
"Essa é uma garantia. O sistema de mobilidade quotidiano é a base para que o troço ferroviário seja reabilitado e comece a funcionar."
"Essa é a esperança e o anseio das populações apesar de alguma desconfiança." Gato escaldado de água fria tem medo. O comboio turístico poderá ser o outro, não me parece. "Agora esperemos para ver", diz o reformado Manuel Feitas, da aldeia do Cachão.
Rosa Cardoso, proprietária do café com o mesmo nome, também no Cachão, está um pouco mais otimista: "Já falei com um senhor de Lisboa, e ele disse-me que era para ir avante e que as obras tinham que estar prontas entre março e maio do próximo ano. Era bom que viessem os dois para trazer turistas e também para as pessoas daqui. Agora o transporte é feito em autocarros e há gente a ir todos os dias para os seus empregos. Vamos esperar."
Uma espera que já vai longa. O primeiro anúncio de início do Plano de Mobilidade do Vale do Tua, primeira contrapartida por causa da construção da barragem de Foz-Tua, foi no verão de 2017.