Costa promete mudanças num setor em que "salário mínimo tem um peso importante"

Mário Cruz/Lusa
O secretário-geral do PS esteve na AHRESP, recebeu um conjunto de propostas para os próximos quatro anos e falou não só do setor hoteleiro, mas também do setor imobiliário.
António Costa visitou aquele que considera ser um dos principais parceiros económicos do país que contribuiu para a recuperação económica e para a criação de postos de trabalho - a Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal (AHRESP). Na reunião com o secretário-geral do PS, a associação apresentou um caderno de encargos com mais de 100 medidas para a próxima legislatura.
Do vasto número de medidas, Costa destaca a valorização de salários. A economia circular, a educação alimentar, os custos de contexto das atividades e a maior agilidade na contratação de pessoal no setor do turismo estão entre as restantes medidas.
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À saída da reunião, Costa admitiu que o que mais o preocupa é o valor médio dos vencimentos no setor da hotelaria e restauração e a questão do arrendamento, onde Portugal passou "do oito para o oitenta".
O líder socialista lembrou que "este é um setor onde, apesar da valorização salarial significativa e de ser um setor que do ponto de vista da contratação coletiva é bastante ativo, é ainda um setor onde os trabalhadores com salário mínimo tem um peso importante".
Assim, Costa pretende um crescimento sustentável do salário mínimo e realça a "possibilidade de um acordo que permita a valorização salarial programada".
Apesar de se tratar de uma "matéria que é da competência do Governo" e que "não está propriamente sujeita a negociação", Costa frisou que "nenhum Governo deve legislar sem ouvir as partes" e que uma das prioridades é "saber qual será o salário mínimo em 2020, 2022, 2023".
A passagem pela AHRESP permitiu ainda que António Costa abordasse o tema do arrendamento, onde o equilíbrio tem de ser a palavra de ordem num país que "passou do oito ao oitenta".
"Em matéria de arrendamento, o país tem experiências muito traumáticas, passámos do oito para o oitenta e finalmente temos de estabilizar o pêndulo num ponto de equilíbrio para todos", explicou, acrescentando que se pretende "que os proprietários tenham a remuneração devida e que nunca mais voltemos a ter cidades degradadas, sem os prédios reabilitados e a ficar ao abandono, nem podemos ter situações onde os inquilinos viviam permanentemente".