Descontentes com atualização de tarifas, transportadores ameaçam com eliminação de serviços

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Associação Nacional dos Transportadores Rodoviários de Passageiros defende que as atualizações deveriam ser de 3,96%.
A Associação Nacional dos Transportadores Rodoviários de Passageiros (ANTROP) contesta o valor das atualizações das tarifas nos transportes públicos. A Autoridade da Mobilidade e Transportes deferiu um aumento de 0,38%, com base na inflação, mas tanto a Área Metropolitana do Porto como a de Lisboa já fizeram saber que não vão usar essa mesma atualização para agravar o preço dos passes.
À TSF, o presidente da ANTROP, Cabaço Martins, defende que as atualizações deveriam ser de 3,96% - valor de que já deu conhecimento às autoridades - e avisa que, apesar de os passes poderem ficar como estão, os transportadores têm de ser compensados pelos custos com pessoal e combustíveis.
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"Podem repercutir esses 3,96% nos utilizadores, aumentando os bilhetes e passes nesse valor", começa por explicar. "Ou então assumem eles esse diferencial e, no limite, até podem congelar os aumentos dos passes", garante.
Cabaço Martins assegura que o tema em cima da mesa não é "aumentar o preço dos passes às pessoas", mas sim fazer com que as autoridades de transporte - áreas metropolitanas de Lisboa e Porto e comunidades intermunicipais percebam que "os operadores de transporte, para poderem sobreviver e continuar a prestar serviços, têm de no mínimo ser compensados pela variação dos seus custos".
O presidente da ANTROP adianta que os gastos com pessoal e combustíveis representam "cerca de 80% dos custos totais dos operadores de transporte".
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Caso a compensação que a ANTROP reivindica não exista, Cabaço Martins revela que as transportadoras podem ter de tomar medidas drásticas, que podem passar pela eliminação de alguns itinerários.
"Dissemos às autoridades de transportes - e reafirmo aqui à TSF - que se não houver essa reponderação, os operadores terão de corrigir o serviço público de transporte. Isto é, reduzir o serviço e, nalguns casos, mesmo eliminar carreiras de serviço público", alerta o dirigente, assegurando que esta última medida é algo a que as empresas de transporte não queriam chegar.
A associação espera uma resposta a curto prazo, para saber qual será a situação das transportadoras a partir do dia 01 de janeiro de 2020.